Um terremoto de magnitude 7,2 atingiu a região de Ayacucho, no sul do Peru, na tarde de quinta-feira (20). Segundo o Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci), a atualização dos danos apontou 122 moradias afetadas, 12 unidades de saúde e 12 instituições de ensino, além de três pessoas feridas. Não houve registro de mortes.
O epicentro foi localizado aproximadamente 35 quilômetros ao norte de Coracora, na província de Parinacochas, a uma profundidade de 108 quilômetros, segundo o Instituto Geofísico do Peru (IGP). O tremor ocorreu às 13h no horário local — 15h pelo horário de Brasília — e foi sentido com intensidade em nove distritos próximos ao epicentro. O abalo também foi percebido em áreas mais distantes, incluindo Lima, Ica, Arequipa, Cusco e Apurímac.
Três pessoas ficaram feridas
Os três feridos sofreram contusões durante o terremoto. Duas pessoas foram atendidas no hospital de Coracora e uma recebeu atendimento no posto de saúde de Chiques. O Ministério da Saúde também identificou danos em unidades de saúde de diferentes municípios de Ayacucho e em dois estabelecimentos da região vizinha de Cusco.
A situação das escolas também entrou no levantamento das autoridades. Pelo menos 12 instituições de ensino foram consideradas afetadas, incluindo unidades de Ayacucho e Apurímac. Parte dos danos ainda estava sendo avaliada pelas equipes de emergência, que mantiveram a chamada Avaliação de Danos e Análise de Necessidades (EDAN).
Energia foi interrompida temporariamente
O terremoto provocou ainda interrupções momentâneas no fornecimento de energia elétrica em algumas localidades. Segundo o Ministério de Minas e Energia peruano, o serviço já havia sido normalizado. As autoridades também trabalharam no restabelecimento da energia em Puquio e no atendimento às comunidades atingidas.
Na infraestrutura rodoviária, um trecho da estrada entre Jaqui e Piedra Blanca foi afetado e teve o trânsito restringido. Já a Vía de los Libertadores e a Rede Viária Nacional permaneciam em funcionamento, de acordo com o Ministério dos Transportes e Comunicações.
Por que um terremoto tão forte não provocou uma tragédia maior?
Um dos principais fatores foi a profundidade do terremoto. O hipocentro estava a mais de 100 quilômetros abaixo da superfície, o que contribuiu para reduzir os efeitos destrutivos concentrados na região do epicentro, embora tenha permitido que as ondas sísmicas fossem percebidas a centenas de quilômetros de distância.
O evento também gerou diferenças entre as medições dos institutos. O IGP registrou magnitude 7,2, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) inicialmente estimou 6,7. Diferenças desse tipo são comuns após grandes terremotos porque os organismos utilizam redes de sensores, metodologias e parâmetros de cálculo distintos.
Réplicas foram registradas
Após o terremoto principal, foram registradas pelo menos duas réplicas, de magnitudes 4,2 e 4,0, ambas ao norte de Coracora. As autoridades permaneceram monitorando a região para identificar novos tremores e eventuais danos que pudessem aparecer posteriormente.
A Marinha do Peru descartou a possibilidade de tsunami relacionado ao terremoto. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também registrou que não havia ameaça de tsunami associada ao evento.
Peru está no Anel de Fogo do Pacífico
O terremoto ocorreu em uma das áreas de maior atividade sísmica do planeta. O Peru está localizado no Círculo ou Anel de Fogo do Pacífico, uma extensa zona tectônica que concentra grande quantidade de terremotos e vulcões.
A atividade sísmica peruana está diretamente relacionada à subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana. Esse processo faz com que a região dos Andes permaneça sujeita a terremotos de grande magnitude.
O tremor também acontece em um período de atenção ampliada para a atividade sísmica na América do Sul. Nas últimas semanas, Colômbia, Venezuela e Peru registraram terremotos expressivos. Especialistas, entretanto, afirmam que esses eventos não significam necessariamente que exista uma sequência tectônica única ou um aumento global da atividade sísmica.
Contexto
O Peru possui histórico de terremotos devastadores. Um dos casos mais graves ocorreu em 2007, quando um terremoto de magnitude 7,9 atingiu a região de Ica e provocou centenas de mortes. Por isso, mesmo terremotos profundos que inicialmente apresentam danos limitados mobilizam rapidamente equipes de emergência e defesa civil.
No caso do terremoto de Ayacucho, o governo peruano enviou o ministro da Habitação, Construção e Saneamento, Mauricio Arnillas, à região para acompanhar as operações de resposta e a avaliação dos danos. O objetivo é manter os serviços essenciais e identificar necessidades adicionais das comunidades afetadas.
