Terremoto pode ter desencadeado avalanche que provocou enchentes devastadoras no Nepal

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Uma sequência de eventos naturais pode ter provocado a inundação repentina que atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, na manhã desta quarta-feira (26).

A principal hipótese investigada pelas autoridades é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha desestabilizado uma encosta e provocado uma avalanche de gelo, pedras e lama. O material teria bloqueado o rio Lhende, afluente do Bhote Koshi, represando a água até que a barreira cedesse e liberasse uma onda de grande intensidade.

O tremor ocorreu poucos minutos antes da inundação. Segundo informações citadas pelo UOL, o intervalo pode ter sido de aproximadamente sete minutos, enquanto especialistas também apontaram que o terremoto pode ter funcionado como gatilho para um movimento de massa em uma região extremamente montanhosa. O sismólogo José Alexandre Nogueira, da USP, explicou que o terremoto, isoladamente, não teria força suficiente para provocar tamanha destruição. O efeito mais grave teria ocorrido em cadeia: tremor, desestabilização da encosta, bloqueio do rio e posterior rompimento da barreira.

A dimensão da tragédia ainda está sendo atualizada. Mais de 90 pessoas já foram dadas como mortas, enquanto 384 turistas permanecem desaparecidos, sendo 291 estrangeiros. Entre os desaparecidos estão indianos, britânicos, norte-americanos, sul-africanos, malaios, australianos e holandeses. A área atingida é utilizada por turistas e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, além de ser uma região de acesso a rotas de trekking no Himalaia.

A destruição atingiu casas, pontes, estradas, veículos e instalações de geração de energia. A enchente também alcançou áreas próximas à fronteira com o Tibete, na China, onde um deslizamento atingiu o porto de Gyirong. A infraestrutura elétrica nepalesa também foi afetada, com aproximadamente 430 megawatts de capacidade de geração comprometidos, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira.

Risco de uma segunda inundação

O cenário continua perigoso porque ainda existe uma possível obstrução rio acima. Especialistas alertam que uma nova ruptura da barreira natural poderia provocar outra onda de inundação. Por isso, moradores de áreas próximas aos rios Bhote Koshi e Trishuli foram orientados a deixar regiões baixas e buscar terrenos mais elevados. Alertas também foram emitidos em estados do norte da Índia, por onde passam rios que descem do Himalaia.

Causa ainda não é considerada definitivamente confirmada

Embora a hipótese do terremoto seguido por avalanche tenha ganhado força, especialistas ainda investigam outras possibilidades. Entre elas estão o rompimento de uma barreira natural, uma avalanche originada em geleira, o transbordamento de um lago glacial e chuvas intensas no lado tibetano. Uma análise meteorológica chinesa apontou que houve períodos de chuva forte tanto no Nepal quanto no sul do Tibete, mas não estabeleceu que a chuva tenha sido a causa imediata da onda de inundação.

O desastre também chama atenção para a crescente vulnerabilidade do Himalaia. A região enfrenta o avanço do derretimento das geleiras, mudanças nos padrões de precipitação e aumento dos riscos associados a enchentes repentinas, deslizamentos e rupturas de lagos glaciais. Cientistas ressaltam que esses fenômenos podem ocorrer de forma combinada, dificultando a previsão e a emissão de alertas com antecedência.