O Fundo Rio Doce, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), atingiu um marco significativo em sua trajetória de reparação. Com as liberações mais recentes, o montante total de recursos destinados a mitigar os impactos do desastre ambiental na bacia hidrográfica superou a marca de R$ 3 bilhões, alcançando aproximadamente R$ 3,35 bilhões em investimentos diretos.
Este volume financeiro é parte integrante do novo acordo de reparação firmado no final de 2024, que estabeleceu um cronograma de desembolsos de R$ 100 bilhões ao longo de duas décadas. Deste total, R$ 49,1 bilhões estão sob responsabilidade da União, sendo aportados diretamente no fundo para financiar ações estruturantes em diversas frentes, desde a saúde pública até o fomento à economia local.
Apoio direto à saúde e assistência social
Uma das prioridades recentes do fundo foi a conclusão do repasse para os planos municipais de ação em saúde. Foram liberados R$ 263,1 milhões, que se somam à parcela inicial de R$ 562,63 milhões entregue no ano anterior. Esses recursos, aprovados pelo Ministério da Saúde, permitem que as prefeituras da região afetada estruturem serviços de atendimento médico e vigilância sanitária necessários para lidar com as consequências de longo prazo do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.
Além da saúde, o Programa de Transferência de Renda (PTR) recebeu um reforço de R$ 576,2 milhões entre maio e agosto de 2026. O programa é vital para a subsistência de pescadores e agricultores que perderam suas fontes de renda após a contaminação da bacia. O suporte financeiro contempla o pagamento mensal de 1,5 salário-mínimo por três anos, reduzindo para 1 salário-mínimo no quarto ano, totalizando mais de R$ 1,52 bilhão investidos até o momento.
Fortalecimento das comunidades e assessorias técnicas
O processo de reparação também prioriza a autonomia das populações atingidas através das Assessorias Técnicas Independentes (ATIs). Em junho de 2026, o fundo destinou R$ 4 milhões para os territórios de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Chopotó, em Minas Gerais. Adicionalmente, cerca de R$ 2,9 milhões foram direcionados para comunidades tradicionais de faiscadores, reconhecendo a necessidade de suporte específico para grupos com modos de vida historicamente ligados ao rio.
Desde o início das operações em junho de 2025, o BNDES tem diversificado a aplicação dos recursos. O escopo de atuação abrange desde pesquisas científicas e conservação ambiental até o fortalecimento da participação social e o desenvolvimento rural. A estratégia busca não apenas compensar as perdas imediatas, mas promover a recuperação econômica e social duradoura dos municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo impactados pela tragédia de Mariana.
Compromisso com a transparência e o futuro
A gestão desses recursos representa um dos maiores desafios de reparação ambiental da história do Brasil. O BNDES mantém o acompanhamento rigoroso das metas, garantindo que os valores cheguem às pontas, onde a necessidade de reconstrução é mais urgente. A continuidade dos repasses é fundamental para que as comunidades possam retomar suas atividades produtivas e garantir a segurança sanitária da região.
O Conexrs segue acompanhando de perto o desenrolar das ações de reparação na Bacia do Rio Doce. Nosso compromisso é levar até você informações precisas sobre os impactos socioeconômicos e as políticas públicas que moldam o futuro das regiões afetadas. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre este e outros temas relevantes para o cenário nacional.
Fonte: canalrural.com.br
