Soja na dieta do gado causa problemas nos cascos? Entenda o que diz a ciência

Soja na dieta do gado causa problemas nos cascos? Entenda o que diz a ciência

Geral

A busca por maior produtividade na pecuária de corte frequentemente leva produtores a adotar dietas mais intensivas, com o uso de grãos e coprodutos para acelerar o ganho de peso. Em meio a esse processo de terminação, é comum que surjam dúvidas sobre possíveis efeitos colaterais de certos ingredientes. Uma das preocupações mais recorrentes entre pecuaristas é se a inclusão de soja na suplementação estaria relacionada ao surgimento de claudicações ou ao crescimento anormal dos cascos do rebanho.

O tema, que gera debates em diversas regiões do país, foi abordado recentemente no quadro Giro do Boi Responde. O zootecnista Tiago Felipini esclareceu a dúvida enviada por um produtor de Boa Vista (RR), que buscava entender se a leguminosa seria a culpada por deformações nas unhas dos animais, um problema que pode comprometer o bem-estar do gado e a rentabilidade da propriedade.

A verdade sobre a soja na nutrição animal

De acordo com o especialista, a associação entre o farelo ou o grão de soja e problemas nos cascos é um mito. Não existe qualquer evidência química ou biológica que ligue diretamente o consumo desses componentes ao crescimento excessivo ou à deformação das unhas dos bovinos. A soja, quando utilizada de forma correta, é uma fonte valiosa de proteína, essencial para o desempenho produtivo do animal.

O diagnóstico de problemas podais em lotes suplementados, na verdade, aponta para um quadro de laminite. Essa condição inflamatória não é causada pelo ingrediente isolado, mas sim por falhas na formulação ou no manejo da Ração Total Misturada (TMR). O erro, portanto, não está na escolha da soja, mas na forma como a dieta é estruturada para o animal.

O papel da acidose ruminal nas lesões podais

A causa raiz das lesões nos cascos reside, frequentemente, na acidose ruminal, que pode ocorrer de forma subaguda ou crônica. Quando o gado consome uma proporção de concentrado — alimentos ricos em amido — que excede sua capacidade de ingestão de fibra bruta, o pH do rúmen sofre uma queda brusca e prolongada. Esse desequilíbrio metabólico é o verdadeiro gatilho para o desenvolvimento da laminite.

Sem o devido equilíbrio na dieta, as toxinas geradas pelo processo de acidose atingem a circulação sanguínea periférica. O resultado é uma inflamação severa nos tecidos vasculares dos pés, que se manifesta através de claudicações e alterações no crescimento do casco. O prejuízo é duplo: o animal deixa de ganhar peso adequadamente e o produtor enfrenta custos com tratamentos e descarte precoce.

Estratégias para prevenir problemas nos cascos

Para evitar que a suplementação intensiva se torne um problema de saúde animal, o manejo deve ser rigoroso. A recomendação técnica é a inclusão de aditivos tamponantes, como o bicarbonato de sódio e o óxido de magnésio, que auxiliam na manutenção do pH ruminal dentro da faixa ideal. Além disso, o respeito ao período de adaptação aos grãos é fundamental para que a microbiota do rúmen se ajuste à nova dieta.

A orientação final para o pecuarista é buscar o acompanhamento de um zootecnista ou médico veterinário para ajustar a relação entre volumoso e concentrado. Com o planejamento adequado, a soja pode ser utilizada sem riscos, permitindo que o rebanho expresse seu potencial genético com saúde e segurança. O Conexrs segue acompanhando as principais inovações e orientações técnicas do setor agropecuário, trazendo informações fundamentais para o dia a dia no campo. Continue conosco para se manter atualizado sobre as melhores práticas de gestão e nutrição animal.

Para mais detalhes técnicos sobre o manejo nutricional, consulte a fonte oficial em Giro do Boi.

Fonte: canalrural.com.br