Queda de 53% nas vendas de apartamentos de luxo em São Paulo: estratégias das incorporadoras

Queda de 53% nas vendas de apartamentos de luxo em São Paulo: estratégias das incorporadoras

Economia

Após um 2025 repleto de lançamentos e vendas recordes, o mercado de imóveis de luxo em São Paulo enfrenta uma significativa desaceleração. Dados da consultoria Brain Inteligência Imobiliária indicam que as vendas de apartamentos de alto padrão caíram 39% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025, com uma queda ainda mais acentuada de 53% no segundo trimestre.

Essa perda de ritmo, que se segue a anos de crescimento robusto, é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo:

  • Juros elevados;
  • Maior cautela dos compradores diante das incertezas econômicas;
  • Oferta excessiva de empreendimentos para a alta renda.

Fábio Tadeu Araújo, presidente da Brain, observa que o mercado atingiu um ponto de saturação, onde o crescimento é insustentável. Com o tíquete médio dos imóveis de alto padrão em torno de R$ 2,9 milhões e os de luxo a R$ 10,8 milhões, a demanda está se ajustando à realidade do mercado.

Exclusividade em xeque

Diferente do mercado tradicional, onde a compra é motivada pela necessidade de moradia, no segmento de luxo, as decisões são guiadas pelo desejo de exclusividade. No entanto, a oferta excessiva diminui essa sensação de escassez. Araújo ressalta que o desejo de compra está em declínio, não por falta de recursos, mas pela saturação do mercado.

André Mazini, analista do Citi, reforça que a superoferta compromete o discurso de exclusividade, tornando-o insustentável.

O boom dos imóveis de luxo

Regiões como Jardins e Itaim Bibi ainda refletem o boom do setor. Projetos como o Autor Jardins e residenciais na Alameda Lorena apresentam preços que variam de R$ 5,8 milhões a R$ 30 milhões. Luciano Amaral, presidente da Benx, afirma que, apesar da desaceleração, a demanda persiste, embora os compradores estejam mais exigentes e cautelosos.

Impacto dos juros elevados

Embora os compradores de imóveis de luxo dependam menos de financiamento, os juros altos continuam a ser um obstáculo. Muitos investidores optam por manter seus recursos em ativos com retornos mais altos, o que impacta a disposição para adquirir imóveis.

A incerteza econômica, marcada por tensões políticas e geopolíticas, também contribui para uma abordagem mais cautelosa por parte dos compradores, que agora demoram mais para fechar negócios.

Incorporadoras em modo conservador

Em resposta à desaceleração, muitas incorporadoras estão adotando uma postura mais conservadora, reduzindo novos lançamentos. A Even, por exemplo, limitou seus projetos, enquanto a Benx optou por adiar aquisições de terrenos. Apesar disso, a maioria das incorporadoras acredita que o mercado está passando por um ajuste, e não por uma crise.

Mercado em alerta

Atualmente, o estoque de imóveis de alto padrão em São Paulo é considerado razoável, com cerca de 18 meses de vendas. No entanto, alguns segmentos já apresentam estoques superiores a 20 meses, indicando um nível de alerta. Mazini, do Citi, observa que a velocidade de vendas está diminuindo, o que requer monitoramento contínuo.

*Com informações de Estadão Conteúdo

Fonte: seudinheiro.com