Calor extremo em Londres gera nova crise no mercado imobiliário

Calor extremo em Londres gera nova crise no mercado imobiliário

Economia

Enquanto o Brasil enfrenta um clima instável, com variações de temperatura constantes, a Europa, especialmente Londres, está lidando com uma onda de calor sem precedentes, impulsionada pelo fenômeno climático El Niño. Este calor extremo não apenas altera o cotidiano, mas também impacta a estrutura dos imóveis, resultando em danos significativos.

O verão europeu, que deveria ser uma época de lazer, se transforma em um desafio. Neste ano, as altas temperaturas têm causado rachaduras nas paredes, portas emperradas e janelas deformadas, afetando diretamente a qualidade de vida dos moradores.

Londres e outras cidades do sudeste da Inglaterra estão enfrentando um calor intenso, levando ao fechamento de escolas, deformação de trilhos de trem e até mesmo ao afundamento de casas. Essa situação alarmante exige uma análise mais profunda das causas e consequências.

O fenômeno da subsidência do solo em Londres

A combinação de calor extremo e seca resulta em um fenômeno conhecido como subsidência do solo. À medida que o calor resseca o solo, o terreno se desloca e encolhe, puxando os edifícios para baixo. O solo argiloso do Reino Unido, que se comporta como uma esponja quando úmido, se torna um problema quando seco, levando ao chamado efeito de “encolhimento-expansão”. Isso provoca um encolhimento desigual sob as fundações, resultando em danos estruturais.

Além disso, as árvores e plantas contribuem para essa situação. Durante períodos de calor, suas raízes buscam água, secando ainda mais o solo ao redor. Os imóveis mais antigos, que representam mais da metade das construções em Londres, são os mais afetados, aumentando o risco de danos.

Dados da CNN indicam que até 2030, 100% dos imóveis em algumas áreas de Londres podem enfrentar risco de subsidência, incluindo regiões centrais como Kensington e Westminster.

Impactos no setor imobiliário

O impacto dessa situação no mercado imobiliário é significativo. Bob Gibson, especialista em subsidência, observa que o aumento das temperaturas tem ampliado o alcance do problema para outras partes do Reino Unido. Em verões quentes, o número de pedidos de indenização relacionados à subsidência cresce exponencialmente.

Em 2022, o setor de seguros desembolsou um valor recorde de US$ 415 milhões em indenizações por danos relacionados à subsidência, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Os números devem continuar a crescer, com as seguradoras já pagando mais de US$ 97 milhões em indenizações apenas no segundo trimestre de 2026.

Estima-se que, se o aquecimento global continuar em seu ritmo atual, mais de 26% dos imóveis em Londres podem ser afetados até 2070, segundo dados do British Geological Survey (BGS).

*Com informações da CNN

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

Fonte: seudinheiro.com