A pecuária do Nordeste brasileiro está passando por uma transformação significativa, impulsionada por investimentos em genética, sanidade e manejo, que têm ampliado o acesso da região ao mercado internacional. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de carne bovina da região alcançaram 9,6 mil toneladas, representando um aumento de 51,38% em volume, com embarques destinados a 84 países. A receita gerada nesse período foi de US$ 44,9 milhões, um crescimento de 71,08%, evidenciando o potencial da pecuária nordestina em um cenário global repleto de desafios.
Esse desempenho notável ocorre em um contexto de mudanças no comércio mundial de proteína animal, onde restrições tarifárias e instabilidades logísticas exigem uma diversificação dos compradores. O Brasil, que fechou 2025 com exportações de carne bovina próximas de US$ 18 bilhões, enfrenta novas condições de acesso a mercados estratégicos, o que torna a eficiência produtiva ainda mais crucial.
Fatores que influenciam a competitividade
A capacidade dos produtores nordestinos de atender aos padrões exigidos pelos mercados compradores depende de diversos fatores que se iniciam dentro da porteira. A qualidade genética, o controle sanitário, a alimentação adequada e a rastreabilidade são elementos fundamentais que influenciam a produtividade e o valor comercial dos animais. Propriedades tradicionais na região têm adotado essas práticas para transformar a experiência acumulada em competitividade.
Um exemplo é a Fazenda Recanto, localizada em Chã Preta, Alagoas, que, com quase 200 anos de história, tem se dedicado à seleção de bovinos Nelore Puro de Origem há quase 50 anos. Os animais dessa fazenda possuem genealogia rastreável e certificada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Ricardo Barros Correia, um dos administradores da Fazenda, destaca que “quem investir em genética e tecnologia hoje estará preparado para aproveitar as oportunidades que o novo ciclo vai trazer”.
Desafios e oportunidades no setor
Dados do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB), mostram que a cadeia pecuária está atravessando uma fase de retenção de fêmeas, o que pode resultar em uma valorização do boi gordo. Este cenário pode beneficiar os produtores que estão preparados para entregar animais mais produtivos e com maior padrão de qualidade. Contudo, a valorização da arroba também eleva o custo de reposição do rebanho, exigindo um controle financeiro rigoroso e eficiência na produção.
Ricardo enfatiza a importância de antecipar investimentos para preservar as margens durante as mudanças do ciclo pecuário. “Se a arroba valoriza, a despesa para repor o rebanho sobe na mesma proporção. É aí que o investimento em eficiência faz a diferença. A seleção genética, a sanidade em dia e o manejo bem feito garantem margem quando o mercado aperta”.
Perspectivas e eventos do setor
As perspectivas de mercado e as estratégias para aumentar a eficiência produtiva estarão em destaque na quarta edição da Agrofeira IBC, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de setembro, na Fazenda Recanto. O evento reunirá pecuaristas, pesquisadores, autoridades e empresas do agronegócio para discutir os desafios e oportunidades da pecuária nordestina.
Entre os participantes confirmados estão a economista Lygia Pimentel, reconhecida pela Forbes como uma das mulheres mais influentes do agronegócio brasileiro, e o engenheiro agrônomo Roberto Barcelos, especialista em qualidade da carne. A Agrofeira IBC também abrirá espaço para a comercialização de reprodutores da raça Nelore e contará com estandes de empresas fornecedoras de máquinas, insumos, genética e serviços para a atividade pecuária.
Com edições anteriores alcançando liquidez de 100% na comercialização dos animais, a participação na Agrofeira IBC é gratuita e as inscrições podem ser realizadas pela plataforma Doity.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
