Itaú BBA aponta potencial de valorização de 45% para Banco Mercantil com foco em consumidores acima de 50 anos

Itaú BBA aponta potencial de valorização de 45% para Banco Mercantil com foco em consumidores acima de 50 anos

Economia

Em um cenário no qual os grandes bancos brasileiros competem ferozmente por uma fatia do mesmo mercado, o Banco Mercantil (BMEB4) decidiu adotar uma abordagem diferenciada. Focando em um público que tem crescido significativamente, mas que ainda é subexplorado pelo setor financeiro, o banco mineiro direciona suas estratégias para os consumidores com mais de 50 anos.

Essa estratégia inovadora chamou a atenção do Itaú BBA, que recentemente iniciou a cobertura das ações do banco, atribuindo-lhe uma recomendação de outperform, o que equivale a uma indicação de compra. O preço-alvo estipulado para o fim de 2027 é de R$ 85, representando um potencial de valorização de 45% em relação ao último fechamento das ações.

Os analistas do Itaú BBA destacam que o Mercantil não é mais apenas um banco comercial regional; ele se transformou em uma operação de varejo altamente especializada, centrada no crédito consignado do INSS.

De acordo com os analistas, a avaliação da ação é positiva, considerando que os múltiplos projetados para 2027 são de 5,1 vezes o lucro (P/L) e 1,6 vez o valor patrimonial (P/VPA). “Parece oferecer uma relação risco-retorno atrativa para esse perfil de crescimento e rentabilidade”, afirmam.

No entanto, a especialização do Mercantil em um nicho específico também traz riscos. O banco está mais vulnerável a mudanças nas regulamentações que podem impactar seu modelo de negócios.

A fortaleza do Banco Mercantil (BMEB4)

A principal aposta do Mercantil reside em uma transformação demográfica que se intensificará nos próximos anos. Segundo dados do IBGE, a população brasileira com 50 anos ou mais deve chegar a 70 milhões de pessoas até 2030, representando aproximadamente 31% da população total. Este grupo movimenta cerca de R$ 2 trilhões anualmente em consumo.

Nos últimos dez anos, o banco tem concentrado seus esforços nesse público. A relação com o INSS se tornou um elemento central de sua estratégia, posicionando o Mercantil como o quinto maior pagador de benefícios do INSS. Além disso, é o único banco privado de médio porte que participou de todos os leilões de folha desde 2009, o que fortalece sua base de clientes e permite captação a preços competitivos, em torno de 100% do CDI.

A estratégia do Mercantil é fazer com que aposentados e pensionistas comecem a receber seus benefícios pelo banco, incentivando a abertura de contas e o acesso a outros produtos financeiros. “Quando um aposentado ou pensionista começa a receber seu benefício pelo Mercantil, o banco estabelece uma relação de longo prazo que pode ser monetizada por meio de uma gama de produtos e serviços”, explica o Itaú BBA.

Além do crédito consignado, o banco também oferece crédito pessoal, ampliando a margem financeira líquida (NIM) consolidada para 17,7%, uma das mais altas entre os bancos analisados.

Serviços ganham peso no balanço do banco

Nos últimos anos, o Banco Mercantil tem expandido sua oferta de serviços, criando novas fontes de receita além dos empréstimos. Atualmente, essas atividades representam cerca de 20% da receita total, um aumento de 5 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Entre as novas iniciativas estão a plataforma de assistência Meu+ e a distribuição de seguros. Segundo o Itaú BBA, esses negócios exigem pouco capital e podem gerar retornos elevados, além de fortalecer o relacionamento com os clientes. “Com o Marketplace e a Intermediação de Seguros aumentando sua participação no mix de receitas, acreditamos que os serviços se tornarão um elemento cada vez mais relevante para sustentar o ROE consolidado acima de 30% do Mercantil”, afirmam os analistas.

O próximo passo: levar o cliente para o celular

Embora o relacionamento com os clientes acima de 50 anos comece frequentemente no ambiente físico, o Mercantil está incentivando a migração para canais digitais. A estratégia envolve uma combinação de agência e aplicativo, onde a rede física é utilizada para atrair novos clientes, enquanto os canais digitais gerenciam boa parte do relacionamento e contratações subsequentes.

Os números já refletem essa estratégia: o aplicativo do Mercantil foi utilizado por 86% dos novos clientes, e os canais digitais responderam por 78% da originação de crédito no segundo trimestre de 2026, um aumento em relação a 62% e 67%, respectivamente, dois anos antes. Em 2025, aplicativo e WhatsApp juntos já representaram 82% dos contratos assinados, com a digitalização no consignado do INSS alcançando 100% na originação.

A mesma especialização que ajuda também traz risco ao Mercantil

Por outro lado, a especialização do Mercantil também implica riscos. Quanto mais o banco se concentra em um público específico e em uma modalidade de crédito, maior é sua exposição às mudanças nas regras desse mercado. A dependência do pagamento de benefícios do INSS como porta de entrada para os clientes é significativa, e alterações regulatórias podem impactar a originação de crédito.

O próximo leilão da folha de pagamento de benefícios, previsto para 2029, pode intensificar a competição entre os bancos, e decisões sobre limites de juros adicionam incertezas ao cenário. “Mudanças nas regras de portabilidade e consentimento já demonstraram que podem afetar os níveis de originação de crédito”, alertam os analistas. Alterações que limitem a precificação do crédito pessoal, por exemplo, poderiam impactar significativamente a rentabilidade do Mercantil, dada a relevância desse produto na margem financeira.

Fonte: seudinheiro.com