Queda de 20% nas importações de fertilizantes nitrogenados gera preocupação para a safrinha

Queda de 20% nas importações de fertilizantes nitrogenados gera preocupação para a safrinha

Agro

A redução de 20% nas importações de fertilizantes nitrogenados no Brasil acendeu um sinal de alerta entre os produtores, que temem a escassez de insumos essenciais para a próxima safra. Entre janeiro e agosto de 2026, as compras externas de ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio atingiram o menor volume desde 2019, o que pode impactar diretamente a produtividade agrícola.

Impacto nas importações e estoques

De acordo com uma análise da StoneX, as importações de fertilizantes nitrogenados caíram significativamente em relação ao mesmo período do ano anterior. A ureia, principal fertilizante utilizado no Brasil, registrou uma queda de 23%, com aproximadamente 2,8 milhões de toneladas importadas. O nitrato de amônio teve uma redução de 25%, enquanto o sulfato de amônio também contribuiu para a diminuição geral dos volumes importados.

Esse cenário levanta preocupações sobre a recomposição dos estoques, especialmente com a aproximação da safrinha, a segunda safra de milho, que exige uma maior disponibilidade de insumos. Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, alerta que a recuperação dos estoques está avançando em um ritmo lento, o que pode comprometer a próxima colheita.

Expectativas do mercado internacional

A desaceleração nas importações pode estar ligada a uma expectativa de condições mais favoráveis no mercado internacional. Muitos compradores brasileiros estão adiando suas aquisições, aguardando um aumento na oferta global e uma possível redução nos preços. Essa estratégia pode resultar em economia, mas também traz riscos, como atrasos na entrega e dificuldades logísticas.

Além disso, a possibilidade de que a China amplie suas exportações de ureia é um fator importante a ser monitorado. Um aumento na disponibilidade desse produto no comércio internacional pode pressionar os preços para baixo, beneficiando os importadores que ainda precisam garantir volumes para as próximas safras.

Riscos geopolíticos e custos de produção

No entanto, a queda nos preços não é garantida. Fatores como o aumento dos custos de produção e os riscos geopolíticos continuam a sustentar o mercado de fertilizantes nitrogenados. O tráfego pelo Estreito de Ormuz e as incertezas relacionadas ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã são preocupações que podem afetar a disponibilidade de cargas e elevar os custos de frete.

Outro fator que pode impactar a produção é a valorização do gás natural, uma das principais matérias-primas para a fabricação de fertilizantes. O aumento dos custos energéticos pode limitar a produção e reduzir a margem para quedas mais acentuadas nos preços.

Desafios para os produtores brasileiros

À medida que o período de recomposição dos estoques se aproxima no Hemisfério Norte, a concorrência por insumos pode aumentar. Se países como os Estados Unidos intensificarem suas aquisições, a pressão sobre os preços e a disponibilidade de ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio poderá se intensificar.

Os produtores brasileiros enfrentam um dilema: esperar por preços mais baixos pode ser vantajoso, mas também aumenta a exposição a problemas logísticos e custos elevados. A estratégia de compra deve considerar não apenas o preço internacional, mas também a disponibilidade física, os prazos de entrega e as necessidades nutricionais das lavouras.

Com as importações de fertilizantes nitrogenados em queda e a safrinha se aproximando, a velocidade da recomposição dos estoques será um fator crucial para o mercado agrícola brasileiro nos próximos meses.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br