Marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Shopee e Tiktok Shop: vale a pena para pequenas e médias empresas?

Marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Shopee e Tiktok Shop: vale a pena para pequenas e médias empresas?

Economia

Nos últimos anos, a forma como os brasileiros realizam compras mudou radicalmente. Antes, para encontrar um produto, era necessário visitar diversas lojas físicas. Hoje, com a popularização dos marketplaces, é possível adquirir produtos em poucos cliques, com a comodidade de entrega na porta de casa em questão de horas. Esses shoppings virtuais, como o Mercado Livre, Amazon, Shopee e TikTok Shop, têm se tornado essenciais para consumidores em todo o país.

Uma pesquisa recente da Visa revela que 86% dos brasileiros realizam compras online ao menos uma vez por mês, sendo que os marketplaces representam impressionantes 71% desse total. Essa realidade apresenta uma oportunidade significativa para pequenas e médias empresas (PMEs) que buscam expandir suas operações no ambiente digital.

Essas plataformas funcionam como um ponto de encontro para diferentes marcas, desde grandes empresas até pequenos empreendedores, oferecendo uma variedade de produtos a preços competitivos. Além disso, muitas delas cuidam de parte ou da totalidade do processo logístico, o que pode ser um grande atrativo para os vendedores.

Vale a pena estar nas plataformas de marketplace?

As vantagens de se cadastrar em um marketplace são evidentes. As empresas têm a chance de se expor a milhões de consumidores ativos, o que resulta em um menor custo de aquisição de clientes, uma vez que essas plataformas já são consolidadas no mercado. Além disso, a diversificação dos canais de vendas e a redução da complexidade técnica são fatores que atraem até mesmo marcas de grande porte, como Natura e Magazine Luiza, que recentemente ingressaram no Mercado Livre.

A economista Kelly Carvalho, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio), destaca que os marketplaces são aliados essenciais para pequenos negócios que desejam se manter atualizados com as tendências do mercado. “Criar uma audiência do zero é difícil e custoso. As grandes plataformas já possuem marcas consolidadas e recebem milhares de acessos diários, o que coloca o produto da PME diretamente diante de uma grande massa de compradores”, explica.

Marco Vilas Boas, sócio-diretor da Alpha Co, uma marca de moda fitness, relata que a empresa decidiu entrar nos marketplaces para diversificar as fontes de receita. Desde 2017, a Alpha Co focava em seu site próprio, mas, ao ingressar nas plataformas, 30% de suas vendas passaram a vir desses canais em apenas um ano.

Logística e plataforma pronta são atrativos

A logística é outro ponto forte dos marketplaces. Plataformas como Shopee e Mercado Livre oferecem serviços de fulfillment, que cuidam de toda a operação logística, desde o armazenamento até a entrega. Felipe Lima, diretor da Shopee, afirma que esse modelo permite que os vendedores ampliem seus negócios sem a necessidade de grandes investimentos em operações.

Na Amazon, por exemplo, os vendedores podem optar por serviços logísticos que incluem o FBA (Logística da Amazon) e o DBA (Delivery by Amazon), que garantem uma entrega eficiente. Mariana Reis, fundadora da Tiger Cats, uma marca de areia biodegradável para gatos, ressalta que a facilidade operacional e a logística oferecida pelos marketplaces foram cruciais para o crescimento de sua empresa, que atualmente fatura R$ 500 mil mensais, com 70% das vendas realizadas nessas plataformas.

Nem tudo são flores

Apesar das vantagens, existem desafios significativos. O principal deles é o custo. As plataformas cobram comissões sobre cada venda, o que pode ser um obstáculo para pequenos varejistas que já operam com margens de lucro estreitas. Kelly Carvalho alerta que, em vez de competir por preço com grandes marcas, o ideal é focar em nichos específicos e produtos de marca própria.

William Almeida, gestor de mercado digital do Sebrae, enfatiza a importância de calcular a margem de lucro antes de entrar em um marketplace. “É fundamental entender quanto sobra após descontar todos os custos”, diz. As taxas de comissão variam entre as plataformas, mas geralmente são um fator a ser considerado.

Vilas Boas, da Alpha Co, menciona que a empresa teve que aprender a selecionar cuidadosamente quais produtos vender. “Temos uma planilha com produtos que queremos colocar nas plataformas e calculamos a margem. Se ficar abaixo de 30%, descartamos”, explica.

Outro desafio é a dificuldade de fidelizar clientes. Os vendedores não têm acesso direto aos dados dos consumidores, o que dificulta a construção de uma base de clientes leais. “Não são clientes meus, são clientes do marketplace. Se os sites decidirem mudar qualquer coisa, eu só tenho que aceitar”, lamenta Vilas Boas.

Como começar nessas plataformas e ter resultados

Para os empreendedores que decidiram entrar no marketplace, o consultor do Sebrae recomenda cautela. “O ideal é não depender de um único canal. Para muitos pequenos negócios, o caminho é diversificar as vendas e não colocar todos os ovos na mesma cesta”, conclui.

Fonte: seudinheiro.com