O mercado da soja no Brasil está em um momento de atenção, com a safra 2026/27 começando sob a influência de uma demanda internacional robusta e estoques globais em redução. Segundo o relatório Agro Mensal de setembro, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, essa combinação de fatores está moldando as expectativas para o setor.
Durante o mês de agosto, a soja viu uma valorização significativa na Bolsa de Chicago, impulsionada pela retomada das compras por parte da China e pela deterioração das condições das lavouras nos Estados Unidos. No Brasil, a alta foi ainda mais expressiva, com o câmbio e os prêmios de exportação contribuindo para a valorização, além da menor disponibilidade de lotes durante o período de entressafra.
Valorização em Sorriso e impacto nos portos
Em Sorriso, uma das principais referências do mercado brasileiro, o preço médio da soja alcançou R$ 129 por saca em agosto, um aumento de 7,9% em relação ao mês anterior. Nos portos, os preços FOB atingiram os maiores níveis dos últimos três anos, refletindo a pressão da demanda tanto no mercado interno quanto nas exportações.
A média do primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago foi de US$ 11,99 por bushel, representando um crescimento de 0,4% na comparação mensal. Essa valorização, no entanto, foi precedida por uma expectativa de safra recorde nos Estados Unidos, que acabou sendo ajustada devido à deterioração das lavouras, que resultou em 58% das culturas sendo classificadas como boas ou excelentes até o final de agosto, uma queda em relação aos 65% do ano anterior.
Demanda chinesa e influência no mercado
A China, maior importadora mundial de soja, intensificou suas aquisições da safra norte-americana, contribuindo para a recuperação das vendas dos Estados Unidos, que haviam enfrentado um desempenho fraco no ciclo anterior. Essa movimentação no mercado externo, combinada com a valorização do câmbio e os prêmios de exportação, resultou em uma pressão significativa sobre os preços da soja no Brasil.
Além disso, a comercialização avançada da safra 2025/26 diminuiu a oferta de vendedores no mercado spot, levando os produtores a exigirem preços mais altos para novos lotes, especialmente durante a entressafra. Essa situação elevou os preços FOB nos portos brasileiros, que atingiram patamares recordes em três anos.
Projeções globais e estoques em queda
O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas alterações nas estimativas para o balanço mundial da soja em 2026/27. A produção global foi projetada em 442 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação aos 429 milhões de toneladas do ciclo anterior. O consumo também deve atingir 442 milhões de toneladas, absorvendo o aumento da oferta.
Os estoques finais mundiais foram projetados em 124 milhões de toneladas, uma redução de 1% em comparação com os 125 milhões de toneladas do ciclo anterior. A relação entre estoque e consumo deve cair de 29% para 28%, o que indica um mercado global relativamente apertado.
Desafios climáticos e atenção ao plantio
No Brasil, a produção de soja para 2026/27 foi mantida em 186 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação aos 181 milhões de toneladas estimados para a temporada anterior. Contudo, a distribuição das chuvas se torna um fator crítico para o sucesso da safra. As previsões indicam que o Paraná deve receber chuvas mais volumosas e regulares, enquanto Mato Grosso e Rondônia enfrentam irregularidades, o que pode atrasar o plantio e elevar os riscos para os produtores.
A combinação de uma demanda mundial elevada, a redução dos estoques e a forte presença chinesa mantém o mercado da soja sensível a mudanças nas perspectivas de oferta. A evolução da colheita nos Estados Unidos e a distribuição das chuvas no Brasil serão determinantes para o desenvolvimento da safra 2026/27.
O cenário delineado pelo Itaú BBA sugere que, mesmo com uma produção global maior, o crescimento da demanda limita a recuperação dos estoques, o que pode resultar em uma reação acentuada dos preços a eventuais problemas climáticos nas lavouras brasileiras.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
