Café sofre queda de até 8% com aumento da safra, enquanto clima gera incertezas para 2027/28

Café sofre queda de até 8% com aumento da safra, enquanto clima gera incertezas para 2027/28

Agro

A recente entrada da nova safra de café no Brasil resultou em uma significativa correção nos preços, que recuaram até 8% nas últimas semanas. Essa movimentação é reflexo do aumento da oferta, que, apesar de pressionar os valores, ainda mantém os preços em níveis historicamente elevados, oferecendo oportunidades de comercialização para os produtores.

Segundo o Agro Mensal, relatório elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado agora volta suas atenções para a safra 2027/28. As expectativas estão centradas na regularidade das chuvas, no pegamento das floradas e nas temperaturas da primavera, fatores que serão decisivos para o sucesso da próxima colheita.

A correção nos preços e a oferta crescente

Após meses de valorização, o mercado de café passou por um ajuste com o avanço da colheita no Brasil. A combinação da ampliação da oferta física e o aumento das exportações reduziram as preocupações sobre a disponibilidade global no curto prazo. Em Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em dezembro de 2026 fechou a 288,15 centavos de dólar por libra-peso, enquanto na Bolsa de Londres, o conilon, negociado como robusta, caiu para US$ 3.524 por tonelada.

No mercado físico brasileiro, a colheita quase concluída e o maior volume de produto disponível facilitaram a origem do café, resultando em uma redução dos prêmios anteriormente pagos. As exportações brasileiras também atingiram um ritmo recorde em agosto, conforme dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), contribuindo para a recomposição da oferta e diminuindo a percepção de risco de desabastecimento.

Expectativas para a safra 2027/28

Com a atual safra entrando em sua fase final, o mercado começa a monitorar as condições climáticas para o ciclo 2027/28. As chuvas de setembro favoreceram as primeiras floradas e melhoraram a umidade do solo nas principais regiões produtoras. Nas lavouras de conilon, as precipitações ajudaram no pegamento das flores e na formação dos primeiros frutos, enquanto no arábica, a umidade estimulou a abertura das floradas iniciais.

Entretanto, o desenvolvimento da próxima safra dependerá da continuidade das chuvas. A regularidade das precipitações será crucial para evitar o abortamento floral e garantir a formação dos frutos. Além disso, as temperaturas durante a primavera também desempenharão um papel decisivo no potencial produtivo das lavouras brasileiras.

Volatilidade e qualidade do produto

A safra 2027/28 deve coincidir com um ciclo de bienalidade negativa para o café arábica, um fenômeno natural onde as plantas alternam períodos de maior e menor produção. Isso torna a consolidação das floradas ainda mais importante, pois falhas na distribuição das chuvas ou episódios de calor excessivo podem comprometer o pegamento e reduzir o potencial da próxima colheita.

Além das condições climáticas, a qualidade da safra recém-colhida também está no radar dos compradores. Chuvas durante a colheita levantaram preocupações sobre a qualidade dos grãos, especialmente nas regiões produtoras de café arábica. Lotes de melhor padrão continuam sendo mais disputados, enquanto cafés de qualidade inferior enfrentam maior pressão de venda, aumentando a diferença de preços entre os diversos tipos de produto.

Perspectivas globais e o papel do Brasil

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de café para a temporada 2026/27 deve alcançar 190 milhões de sacas, um aumento de 6,1% em relação ao ciclo anterior. O Brasil deve liderar essa expansão, com uma produção projetada de 71,9 milhões de sacas, representando um crescimento anual de 14,1%. O Vietnã e a Colômbia também devem apresentar aumentos, enquanto a Indonésia prevê uma queda de 8% na produção.

O consumo global deverá atingir 180 milhões de sacas, resultando em uma superprodução de cerca de 9,9 milhões de sacas. Os estoques finais estão projetados em 26 milhões de sacas, com uma relação estoque-consumo de 15%. Apesar da correção nos preços, o cenário ainda oferece oportunidades de venda, especialmente para produtores com cafés de melhor qualidade.

Com a volatilidade prevista, o mercado deve continuar atento à distribuição das chuvas, ao desenvolvimento das floradas e às temperaturas da primavera. Estratégias de comercialização escalonada e um acompanhamento constante das condições climáticas poderão ajudar os cafeicultores a mitigar riscos e aproveitar momentos favoráveis de preço.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br