Como o medo de investir pode ser transformado em motivação financeira

Como o medo de investir pode ser transformado em motivação financeira

Economia

Organizar a vida financeira é um desafio que gera apreensão em muitas pessoas. O planejamento financeiro exige uma análise honesta das origens dos problemas, o que pode ser desconfortável. Muitas vezes, o rombo na conta é resultado de descontrole financeiro ou da necessidade de buscar um salário mais elevado.

Se você se sente medroso, confuso ou até mesmo tentado a desistir de investir, saiba que essa é uma experiência comum.

Um levantamento realizado pela Planejar, em parceria com a Timelens, revelou que, nos últimos cinco anos, foram feitas 855 mil perguntas sobre investimentos na internet relacionadas à confusão e 806 mil sobre medo. Além disso, 1,458 bilhão de buscas estão associadas ao receio de perder dinheiro.

A pesquisa também indicou que a urgência em resolver pendências financeiras é um tema recorrente, com 2,202 bilhões de buscas relacionadas à ansiedade financeira. Esses sentimentos dificultam a decisão de investir e a disposição para buscar ajuda, com a culpa e a vergonha pesando na escolha sobre investimentos, refletindo em 332 mil e 198 mil pesquisas, respectivamente.

O resultado dessa dificuldade é alarmante: apenas 33 em cada 100 brasileiros conseguem guardar algum dinheiro, e apenas 12 efetivamente investem. Entre aqueles que possuem reservas, 17% direcionam recursos para bets, motivados pela busca de ganhos rápidos em momentos de necessidade (39%) e pelo entretenimento (32%).

A pesquisa intitulada “O que a Faria Lima não vê” analisou 6,431 bilhões de perguntas indexadas no Google, 467 milhões de consultas únicas e 392 mil menções públicas nas redes sociais feitas por 47,3 milhões de usuários únicos. O estudo também utilizou dados de pesquisas de mercado realizadas pela Anbima e pela B3.

Rumo à liberdade financeira

A boa notícia é que esses receios podem servir como um impulso para iniciar investimentos. Segundo a Planejar, a decisão de investir não surge apenas de curiosidade ou vontade de aprender, mas sim de problemas concretos na vida das pessoas.

“Ninguém acorda querendo comprar um CDB, um fundo ou uma carteira. O brasileiro quer sair do aperto, organizar uma reserva, realizar um projeto, proteger alguém ou construir um futuro”, afirma a empresa em seu relatório.

Esse fenômeno é evidenciado nas buscas na internet, onde 76,1% das perguntas estão relacionadas a situações cotidianas e objetivos de vida, enquanto apenas 14,6% mencionam produtos financeiros diretamente. Isso indica que existem 5,21 vezes mais perguntas sobre o contexto real das famílias do que sobre aplicações específicas, um desafio para as instituições financeiras.

Quem precisa de ajuda para investir?

A pesquisa revela que as instituições financeiras e os assessores de investimento costumam entrar na conversa muito tarde. Cerca de 81,9% do tempo gasto na jornada do investidor ocorre em etapas que o mercado tradicional não aborda. Essa jornada começa muito antes de montar uma carteira, envolvendo o entendimento do problema, a organização de uma reserva e o planejamento financeiro para projetos específicos.

“Quando o mercado entra apenas no momento em que a pessoa já está escolhendo onde investir, chega tarde a uma conversa que começou muito antes”, afirma Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens e autor do estudo.

O levantamento também indica que a população possui um conhecimento intermediário sobre o tema, com 66% das perguntas utilizando uma linguagem que não é básica nem avançada. Apenas 29% das buscas contêm termos básicos, enquanto 5% apresentam comunicação avançada.

Dolci destaca que essa diferença no nível de conhecimento não está relacionada ao patrimônio. “Ter mais renda, idade, formação ou patrimônio não garante segurança para investir. O investimento continua sendo um território de confusão, comparação e medo”, afirma. “As pessoas ainda buscam ajuda para sair das dívidas. As etapas seguintes desse planejamento serão consequência desse momento crucial de estruturar a vida do cliente”, conclui Ana Leoni, CEO da Planejar.

Fonte: seudinheiro.com