Novos horizontes para a economia paranaense
A entrada em vigor da vigência provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia marca o início de uma nova etapa para o setor produtivo do Paraná. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado abre portas para um dos mercados consumidores mais exigentes e relevantes do planeta, composto por mais de 700 milhões de pessoas. Embora o impacto imediato nos indicadores estaduais ainda seja discreto, o movimento estratégico das empresas paranaenses já é notável, com uma busca intensificada por informações sobre tarifas, regras de origem e requisitos sanitários.
O estado não parte do zero nesta relação. Em 2025, as exportações paranaenses destinadas ao bloco europeu somaram US$ 2,46 bilhões, o que representou 10,4% do total exportado pelo Paraná naquele ano. O acordo atua, portanto, como um catalisador para diversificar a pauta exportadora e fortalecer a competitividade de setores que já possuem maturidade no comércio internacional, como o agronegócio e a indústria de transformação.
Potencial do agronegócio e da indústria
Os segmentos de maior destaque na pauta exportadora paranaense para a Europa são, tradicionalmente, o farelo de soja, que movimentou US$ 950 milhões em 2025, seguido pela madeira compensada, com US$ 203 milhões, e a carne de frango in natura, com US$ 187 milhões. A redução gradual de tarifas prevista no tratado deve beneficiar diretamente essas cadeias, além de abrir espaço para produtos de maior valor agregado, como máquinas de terraplanagem, componentes automotivos e produtos químicos.
Para aproveitar essas oportunidades, o setor produtivo tem investido em modernização e adequação aos padrões internacionais. A exigência por certificações fitossanitárias e ambientais tornou-se o novo foco de atenção, atingindo desde grandes cooperativas até pequenas empresas que buscam inserir seus produtos no mercado europeu. A capacidade de comprovar a procedência e a sustentabilidade dos itens tornou-se, na prática, o principal passaporte para o sucesso comercial no bloco.
Desafios logísticos e regulatórios
Apesar do otimismo, especialistas alertam que a competitividade paranaense enfrenta gargalos estruturais significativos. A dependência do transporte rodoviário encarece o custo final das mercadorias, sendo que, em alguns casos, o frete marítimo internacional chega a ser mais barato do que o deslocamento terrestre entre estados brasileiros. A necessidade de investimentos em infraestrutura, como a ampliação do Porto de Paranaguá e o avanço da Ferroeste, é apontada como essencial para que a redução tarifária não seja absorvida pelos custos logísticos.
No campo regulatório, o maior desafio é o cumprimento do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A norma impõe obrigações rigorosas de rastreabilidade para soja, madeira e carne. Esse cenário exige que toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores que não exportam diretamente, adote sistemas de controle mais precisos. A conformidade não é apenas uma escolha, mas uma condição indispensável para a manutenção do acesso a esse mercado estratégico.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
