O setor sucroalcooleiro brasileiro mantém um ritmo intenso de embarques neste mês de setembro de 2026, consolidando a posição do país como o principal fornecedor global da commodity. Dados recentes indicam que, além do volume já escoado, o line-up — a lista de navios programados para carregamento nos portos nacionais — aponta para uma movimentação expressiva de 2,65 milhões de toneladas de açúcar nas próximas semanas.
Logística portuária e concentração de embarques
A estrutura logística do país segue focada nos dois principais corredores de exportação. O Porto de Santos, em São Paulo, lidera a operação com 2,05 milhões de toneladas previstas, o que representa cerca de 77,4% do volume total agendado. O Porto de Paranaguá, no Paraná, complementa o fluxo com 598 mil toneladas, correspondendo a 22,6% da carga total.
Ao todo, 65 navios aguardam para realizar o carregamento, considerando embarcações já ancoradas, navios ao largo e aqueles com chegada prevista até o dia 30 de outubro. O açúcar do tipo VHP (Very High Polarization), voltado para o refino em países importadores, domina a pauta, representando 88,6% do volume total programado para exportação.
Desempenho físico versus receita cambial
Apesar do aumento no volume físico, o cenário financeiro apresenta desafios. Nos oito primeiros dias úteis de setembro, o Brasil exportou 1,19 milhão de toneladas, com uma média diária de 149,8 mil toneladas. Esse número representa um crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025, evidenciando a eficiência operacional do setor.
Contudo, a receita média diária sofreu uma retração de 6,8%, caindo para US$ 54,6 milhões. De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o preço médio da tonelada exportada recuou 8,4%, passando de US$ 398 em 2025 para US$ 364,70 em 2026. Essa desvalorização do produto no mercado internacional tem pressionado o faturamento, mesmo com o aumento das quantidades enviadas ao exterior.
Perspectivas para o mercado global
O aumento de 19,3% no volume programado no line-up em relação à semana anterior reforça a competitividade do açúcar brasileiro diante de estoques globais ajustados. O mercado observa atentamente como a combinação entre o câmbio e as cotações internacionais ditará o ritmo dos próximos meses. Enquanto a demanda externa permanece firme, o setor busca equilibrar a alta produtividade com a volatilidade dos preços internacionais.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
