Feijão carioca ultrapassa R$ 300 e mercado do preto reage sob alerta climático

Feijão carioca ultrapassa R$ 300 e mercado do preto reage sob alerta climático

Agro

O mercado brasileiro de feijão atravessa um momento de ajuste significativo em suas cotações. Em levantamento realizado em 18/09/2026, o feijão carioca consolidou patamares acima de R$ 300 por saca, impulsionado por uma oferta restrita e pela postura cautelosa dos produtores. Paralelamente, o feijão preto também apresenta sinais de valorização, sustentado por incertezas climáticas que já começam a moldar as expectativas para a primeira safra 2026/27.

Dinâmica de preços e seletividade no mercado

A alta observada no feijão carioca não reflete um aumento repentino no consumo das famílias brasileiras, mas sim um desequilíbrio entre a oferta de lotes de alta qualidade e a demanda dos empacotadores. Segundo o analista Evandro Oliveira, da consultoria Safras & Mercado, a valorização é conduzida pela resistência dos produtores em aceitar valores inferiores, aliada à dificuldade dos compradores em repor estoques com padrões de excelência.

O mercado opera de forma altamente seletiva. Enquanto lotes com nota 9 ou superior alcançam valores entre R$ 335 e R$ 340 no interior paulista, chegando a R$ 350 na Bolsa de Cereais de São Paulo, produtos com problemas de umidade ou rendimento enfrentam maior dificuldade de escoamento. Essa diferenciação força os compradores a avaliarem cada carga individualmente, equilibrando custo de aquisição e margem operacional.

O impacto do clima no feijão preto

No setor do feijão preto, a mudança de cenário é mais recente, porém notável. Após um período de estagnação, o mercado iniciou um processo de reprecificação, liderado pelo Paraná, onde o tipo extra passou a testar a marca de R$ 250 por saca. A valorização, contudo, não é homogênea, com Santa Catarina apresentando uma acomodação leve, entre R$ 238 e R$ 242.

O fator determinante para essa firmeza é o risco climático. A preocupação com os efeitos de fenômenos meteorológicos sobre a primeira safra 2026/27 tem levado agentes do setor a adotar uma postura preventiva. A possibilidade de quebra de safra, especialmente para o feijão preto, atua como um suporte psicológico para os preços, transformando a cautela em um componente de sustentação das cotações.

Perspectivas e o papel da oferta

O futuro do mercado no curto prazo dependerá diretamente da disposição dos produtores em liberar seus estoques. Caso a retenção persista, a tendência é de manutenção dos patamares elevados. Por outro lado, a entrada de produto importado, especialmente da Argentina, atua como um contraponto importante, podendo limitar o espaço para novas altas caso a oferta externa se intensifique.

O cenário atual exige atenção dos envolvidos na cadeia produtiva. A evolução das lavouras da próxima safra e a capacidade de absorção dos compradores serão os termômetros para os próximos meses. Para acompanhar as atualizações diárias sobre o agronegócio e o comportamento dos preços das commodities, continue conectado ao ConexRS, seu portal de referência em informação relevante, atualizada e com análise profunda dos fatos que movem o Brasil.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br