Cotação do café recua 4% em Nova York com recorde de exportações brasileiras

Cotação do café recua 4% em Nova York com recorde de exportações brasileiras

Agro

Impacto das exportações recordes no mercado global

O mercado internacional de café atravessou uma semana de ajuste significativo, com as cotações do arábica na Bolsa de Nova York registrando uma queda de 4% entre os dias 10 e 17 de setembro. O movimento, que levou o contrato de dezembro a 276,50 centavos de dólar por libra-peso, reflete uma mudança na percepção de oferta global, impulsionada diretamente pelo desempenho robusto do agronegócio brasileiro.

O Brasil, consolidado como o principal fornecedor mundial, atingiu volumes históricos de embarque. Segundo dados do Cecafé, o país exportou 4,16 milhões de sacas em agosto, um salto de 31% em relação ao mesmo período de 2025. Esse fluxo contínuo de mercadoria para o exterior, somado ao aumento dos estoques certificados em Nova York, aliviou a pressão imediata sobre o abastecimento, que vinha sendo motivo de preocupação para os compradores internacionais.

Perspectivas para a safra 2027/28 e o fator climático

Além do volume exportado no curto prazo, o mercado já projeta os próximos ciclos produtivos. As condições iniciais favoráveis às floradas brasileiras para a safra 2027/28 geraram um otimismo cauteloso entre investidores. A expectativa de uma colheita mais volumosa no futuro atua como um freio para altas especulativas nos preços.

Entretanto, o setor permanece em alerta quanto aos riscos climáticos. O fenômeno El Niño segue no radar dos produtores, especialmente no que diz respeito à distribuição de chuvas e temperaturas nos meses finais do ano. Qualquer sinal de estresse hídrico durante fases críticas do desenvolvimento das lavouras pode reverter rapidamente as projeções atuais, mantendo a volatilidade como uma marca registrada das negociações.

Dinâmica cambial e reflexos no mercado interno

Apesar da queda expressiva nas bolsas internacionais, o impacto no mercado físico brasileiro foi parcialmente amortecido pela valorização do dólar. Entre 10 e 17 de setembro, a moeda norte-americana acumulou alta de 0,75% no Brasil. Como o café é uma commodity cotada em dólar, a desvalorização do real atua como um mecanismo de proteção para o produtor nacional, limitando a queda dos preços em moeda local.

Nas principais regiões produtoras, como o Sul de Minas Gerais e o Espírito Santo, os preços recuaram, mas em uma proporção menor do que a observada no exterior. Produtores têm adotado uma postura de maior cautela, segurando as vendas diante da volatilidade, enquanto compradores buscam oportunidades de aquisição conforme a necessidade imediata de estoque.

O cenário competitivo do robusta

O mercado de café robusta, negociado em Londres, também seguiu a tendência de baixa, com recuo de 4,6% no mesmo intervalo. O movimento foi influenciado por notícias positivas vindas do Vietnã. Após um período de incerteza sobre o excesso de chuvas, as condições meteorológicas nas regiões produtoras vietnamitas mostraram melhora, reforçando a expectativa de uma oferta mais equilibrada de café robusta para os próximos meses.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos da economia agropecuária e o impacto das commodities na balança comercial brasileira. Continue acompanhando nossas atualizações diárias para entender como as variações de mercado, o clima e as políticas cambiais moldam o futuro do setor no Brasil e no mundo.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br