No coração de Rondônia, a rotina do Sítio JK, em Rolim de Moura, desafia a lógica da mecanização intensiva que domina grande parte da pecuária moderna. Aos 81 anos, o produtor Ivo José da Costa tornou-se um símbolo de resiliência e dedicação ao campo. Três vezes ao dia, ele percorre o curral utilizando uma simples carriola para distribuir o alimento aos seus animais, uma prática que, longe de ser um sinal de atraso, reflete um compromisso pessoal com o bem-estar do rebanho.
Essa dedicação diária, que atravessa gerações, não passa despercebida pelos resultados obtidos na balança. Recentemente, Seu Ivo concluiu um ciclo de confinamento de 106 dias com um lote de 18 bois de produção própria. O desempenho técnico dos animais chamou a atenção de especialistas do setor, alcançando uma média de 18,55 arrobas por carcaça, o que equivale a 278,25 quilos. Os números atestam que o manejo manual, quando aliado ao conhecimento prático, é capaz de entregar um produto final de alta qualidade.
Resultados técnicos e qualidade no manejo
O sucesso do lote de Seu Ivo não é fruto apenas do esforço físico, mas de um planejamento nutricional rigoroso. O acompanhamento técnico, realizado por Wellyton Pelengrine Costa, supervisor de vendas da Marília Nutri, garantiu que os animais recebessem os nutrientes necessários para um desenvolvimento equilibrado. A avaliação técnica pós-abate, realizada pela unidade da Friboi de Rolim de Moura, confirmou a excelência do trabalho: os animais apresentaram acabamento de gordura classificado entre 2+ e 3-, um padrão exigido pelo mercado consumidor mais exigente.
A história do pecuarista foi destaque no programa Giro pelo Brasil, onde a equipe técnica ressaltou que o suporte nutricional foi o diferencial para que o gado atingisse o ponto ideal de abate. Para o produtor, o confinamento, atividade que ele pratica há doze anos, é uma forma de manter a conexão com a terra e com os animais, provando que a pecuária de corte pode ser viável e produtiva mesmo em escalas menores e com métodos tradicionais.
O valor da experiência na pecuária brasileira
A trajetória de Ivo José da Costa serve como um lembrete importante sobre a essência da atividade rural. Em um cenário onde a tecnologia e a automação ganham cada vez mais espaço, o exemplo de Rondônia resgata o valor do olhar atento do produtor. O manejo diário, realizado de forma manual, permite que o pecuarista identifique precocemente qualquer alteração no comportamento ou na saúde do rebanho, algo que muitas vezes passa despercebido em sistemas automatizados de larga escala.
O caso do Sítio JK é uma inspiração para pequenos e médios produtores que buscam viabilidade econômica sem abrir mão de suas raízes. A história de Seu Ivo reforça que o sucesso na pecuária é uma combinação de técnica, paciência e, acima de tudo, amor pela lida. A capacidade de produzir carne de qualidade, mantendo o controle sobre cada etapa do processo, é o que garante a sustentabilidade social e econômica de muitas famílias no interior do Brasil.
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Fonte: canalrural.com.br
