TSE admite ação de Flávio Bolsonaro contra Lula por desfile no Carnaval

TSE admite ação de Flávio Bolsonaro contra Lula por desfile no Carnaval

Política

Justiça Eleitoral inicia apuração sobre possível abuso de poder

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prosseguimento a uma ação protocolada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) que questiona a legalidade do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói durante o Carnaval de 2026. A decisão de admissibilidade, proferida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, no dia 18 de setembro, marca o início da fase de instrução processual, na qual serão produzidas provas sobre as alegações apresentadas.

A representação judicial tem como alvos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A acusação central sustenta a ocorrência de abuso de poder político e econômico, além do uso indevido de meios de comunicação social. Segundo os autores da ação, a homenagem prestada pela agremiação ao presidente teria sido impulsionada por recursos públicos e beneficiada por uma exposição midiática desproporcional.

Contexto dos recursos e alegações da acusação

O cerne da disputa jurídica gira em torno do financiamento da escola de samba após o anúncio de que Lula seria o enredo, ocorrido em julho de 2025. A petição aponta um montante de R$ 9,65 milhões repassados por entes públicos, incluindo as prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, o governo estadual e a Embratur. A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que tais valores teriam caráter eleitoreiro e questiona a origem de receitas privadas que ainda não foram totalmente esclarecidas.

Além do aspecto financeiro, a ação contesta a ampla cobertura televisiva do evento. Com cerca de 79 minutos de transmissão em rede aberta e disponibilidade em plataformas digitais, os autores alegam que a exposição teria ferido o princípio da igualdade de oportunidades no pleito eleitoral. O processo também cita a primeira-dama Rosângela da Silva, o ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves Barreto, como envolvidos na suposta irregularidade.

Defesa e próximos passos do processo

Após a notificação oficial, o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin possuem um prazo de cinco dias para apresentar suas defesas. Em declarações anteriores, feitas em fevereiro, o chefe do Executivo classificou a homenagem como “extraordinária” e afirmou que sua participação limitou-se à aceitação do convite, sem interferência nas decisões artísticas ou administrativas da escola.

Órgãos públicos citados na ação defenderam-se afirmando que os repasses financeiros seguiram critérios técnicos e foram destinados ao fomento do Carnaval como um todo, não sendo exclusivos para a escola de samba em questão. O pedido da acusação é severo: a cassação do registro ou diploma da chapa eleita e a declaração de inelegibilidade por oito anos para os envolvidos, com base no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990. O ministro relator ressaltou, contudo, que a admissão da ação não antecipa o julgamento do mérito, servindo apenas para que os fatos sejam devidamente apurados.

O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos deste caso nos tribunais e o impacto das decisões judiciais no cenário político nacional. Para se manter informado com credibilidade sobre os bastidores do poder e as principais movimentações do Judiciário e do Executivo, continue acompanhando nossas atualizações diárias.

Fonte: redir.folha.com.br