Tecnologias para reduzir gases do efeito estufa na cadeia leiteira ganham destaque na Fenasul Expoleite

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Painel ocorreu na manhã desta sexta-feira (15/5), na Casa do Fundesa, em Esteio

As tecnologias voltadas à mitigação de gases de efeito estufa (GEE) na cadeia leiteira gaúcha foram debatidas na manhã desta sexta-feira (15/5), no espaço do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A atividade integrou a programação técnica da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) durante a Fenasul Expoleite 2026, evento que segue até domingo (17/5).

O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, participou da abertura do evento e destacou a relevância do tema para o setor agropecuário. “Ao longo dos anos, fomos muito reativos em relação às exigências e às pautas internacionais. Por isso, esta é uma iniciativa propositiva e louvável. Tenho convicção de que temos grande potencial para nos tornarmos, cada vez mais, uma potência agrícola sustentável. Precisamos ampliar debates como este, em vez de sermos pautados por agentes externos”, afirmou.

Com o tema “Tecnologias para mitigação de gases do efeito estufa na cadeia leiteira”, o painel foi coordenado pelo engenheiro florestal Jackson Brilhante, responsável pelo Plano ABC+RS na Seapi. Durante o encontro, representantes de diferentes instituições apresentaram estudos, experiências e estratégias voltadas à construção de uma produção leiteira mais sustentável, conciliando produtividade, eficiência econômica e redução dos impactos ambientais.

Brilhante destacou que o Rio Grande do Sul vem avançando na adoção de práticas sustentáveis no meio rural, especialmente por meio do Plano ABC+RS, que incentiva tecnologias de baixa emissão de carbono. Segundo ele, o setor leiteiro possui papel estratégico nesse processo, tanto pela relevância econômica quanto pelo potencial de adoção de sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

“Sustentabilidade tem relação direta com sanidade animal, eficiência produtiva e permanência do produtor no campo. O Rio Grande do Sul vem avançando em políticas públicas voltadas à produção sustentável, e o setor leiteiro reúne grande potencial para ampliar a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono”, ressaltou Brilhante.

Alternativas debatidas

Entre as alternativas apresentadas estiveram os biodigestores, apontados como solução para o tratamento de resíduos orgânicos, com potencial para reduzir a emissão de gases e gerar subprodutos de valor econômico e ambiental. O processo também produz o biodigestato, biofertilizante que pode ser utilizado em pastagens e lavouras, contribuindo para diminuir o uso de fertilizantes químicos.

Pesquisador da Embrapa Clima Temperado apresentou estudos sobre o aproveitamento de resíduos da produção animal em lavouras e pastagens, especialmente na cadeia leiteira. Em sistemas de produção confinados, a gestão adequada dos resíduos é considerada fundamental para reduzir a emissão de metano, um dos principais gases relacionados ao efeito estufa.

A reciclagem dos dejetos de origem animal traz ganhos econômicos e ambientais, destacou o pesquisador da Embrapa Clima Temperado Rodrigo Nicoloso. “Os fertilizantes representam de 40% a 60% do custo de produção de grãos, por exemplo. Então, faz todo sentido utilizar esses dejetos como adubos. Vejo os resíduos como uma verdadeira fábrica de fertilizantes dentro da propriedade”, afirmou.

Pesquisadoras da Universidade do Vale do Taquari (Univates) apresentaram um projeto voltado ao aproveitamento de resíduos da região. O trabalho reúne dados sobre resíduos animais, industriais e urbanos que podem ser utilizados na produção de biogás. A pesquisadora e engenheira ambiental da Univates Camila Giovanella enfatizou que o principal objetivo é transformar esses resíduos em fontes de bioenergia e criar um ciclo sustentável, com potencial para geração de energia renovável e redução de impactos ambientais.

O painel também apresentou iniciativas desenvolvidas pela Lactalis Brasil, entre elas o programa “Leite Baixo Carbono”, voltado à redução das emissões na cadeia produtiva. A representante da empresa, Patrícia Fontoura, destacou que o bem-estar animal é um dos pontos centrais da estratégia. “Tudo começa com alimentação adequada, acesso à água e sombra. Vacas felizes também produzem mais”, resumiu.

O painel foi encerrado com a apresentação de um estudo de caso envolvendo um produtor rural de laticínios. O produtor Jean Trevisan, que possui cerca de mil vacas leiteiras na fazenda em Farroupilha, compartilhou experiências relacionadas ao uso de tecnologias na propriedade, incluindo o aproveitamento do biogás para aquecimento térmico, geração de energia elétrica e potencial utilização como combustível na forma de biometano.

Também relatou os resultados obtidos com a aplicação de biofertilizante derivado dos resíduos da produção leiteira. “Hoje, cerca de 30% da energia usada na fazenda vem dos resíduos dos animais.”

A atividade reuniu técnicos, pesquisadores, produtores rurais, representantes de entidades e estudantes ligados ao setor agropecuário.