O fundo imobiliário Tellus Rio Bravo (TRBL11) iniciou um movimento decisivo para reestruturar seu portfólio e mitigar os impactos de dois grandes imbróglios que marcaram sua trajetória recente: a recuperação extrajudicial da Braskem (BRKM5) e o longo litígio envolvendo os Correios. Em uma tentativa de reduzir a exposição a riscos de crédito e concentrar esforços em ativos de maior liquidez e padrão logístico, o fundo convocou uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre mudanças estruturais profundas.
Desinvestimento e redução da dependência da Braskem
A proposta central da gestão, conduzida pela Rio Bravo, envolve a venda de três ativos estratégicos: One Park, Contagem e Guarulhos II. A operação, avaliada em R$ 526,7 milhões, visa diminuir a concentração da receita contratada na Braskem, que hoje responde por cerca de 23% do faturamento do fundo. Além de reduzir o risco, a transação projeta um ganho de capital líquido de aproximadamente R$ 29 milhões, ou R$ 3,80 por cota.
Apesar do otimismo com a redução do risco, analistas apontam pontos de atenção. O pagamento será parcelado, com apenas 62% do valor à vista e o restante diluído ao longo de 36 meses, o que mantém o fundo exposto ao crédito do comprador. Parte dos recursos será destinada à quitação de uma dívida de R$ 92 milhões, enquanto o saldo restante será reinvestido na aquisição de dois novos imóveis logísticos de alto padrão, mantendo o nível de alavancagem do fundo.
O fim da disputa judicial com os Correios
Outro ponto crítico na pauta da assembleia é a possível cessão dos direitos das ações judiciais movidas contra os Correios. O conflito, que se arrasta desde outubro de 2024, teve origem em danos estruturais no galpão locado pela estatal, culminando em interdição pela Defesa Civil e rescisão unilateral do contrato em março de 2025. O fundo busca agora transformar a incerteza de um processo judicial, que pleiteia uma multa de R$ 306 milhões, em um fluxo de caixa imediato de R$ 20 milhões, pagos em seis parcelas.
A estratégia, embora garanta previsibilidade, exige que o cotista abra mão de um potencial ganho maior caso a justiça decida favoravelmente ao fundo. Ao ceder os direitos, o TRBL11 também se desonera de custos advocatícios e honorários futuros, transferindo o risco do litígio para o comprador da ação.
Mudanças no regulamento e governança
Além das movimentações de ativos, a gestão propõe alterações no regulamento que visam ampliar a flexibilidade operacional. O fundo pretende atuar com maior liberdade em projetos de desenvolvimento imobiliário, operações alavancadas e transações com partes relacionadas. Contudo, a proposta de elevação da taxa de administração e gestão, de 0,84% para até 1,10% ao ano, tem gerado questionamentos sobre a justificativa dessa majoração frente ao histórico de performance do ativo.
O mercado observa com cautela essas mudanças, que alteram o perfil de risco e a governança do fundo. A votação, que define o futuro da estratégia, chega ao fim nesta sexta-feira (9). Para investidores que buscam entender os desdobramentos do setor de fundos imobiliários e as movimentações que impactam o mercado de capitais brasileiro, o ConexRS segue acompanhando os fatos e trazendo análises aprofundadas sobre os principais movimentos da economia nacional.
Fonte: seudinheiro.com

