Eleições 2026: gestora de fortunas ajusta carteira de investimentos após primeiro turno

Eleições 2026: gestora de fortunas ajusta carteira de investimentos após primeiro turno

Economia

O cenário eleitoral brasileiro, ainda em definição para o segundo turno, já provoca movimentos estratégicos no mercado financeiro. Com a proximidade da votação final em 25 de outubro, modelos probabilísticos e a composição do novo Congresso têm guiado as decisões de grandes gestoras. A TAG Investimentos, multi family office que administra R$ 18 bilhões, anunciou um ajuste em sua carteira para capturar as oportunidades decorrentes do rali dos ativos financeiros observado após o primeiro turno.

A gestora aponta que o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno à frente do atual mandatário, alterou as expectativas dos agentes econômicos. Na visão da casa, a probabilidade de o país adotar uma política econômica mais funcional e favorável ao mercado cresceu significativamente, passando para um patamar próximo a 60%. Esse otimismo, contudo, é cauteloso e condicionado à capacidade do próximo governo em implementar reformas estruturais.

Aposta em renda fixa e ações diante do novo cenário

Com a expectativa de um ambiente mais propício à queda dos juros e ao alívio nos prêmios de risco, a TAG Investimentos reforçou posições em três frentes principais: títulos indexados à inflação (IPCA+), papéis prefixados e ações brasileiras. A tese central é que a melhora na percepção sobre a economia pode reduzir as taxas desses títulos, gerando valorização para quem os detém.

No caso dos prefixados, a estratégia busca travar taxas elevadas antes de eventuais cortes mais agressivos na taxa Selic. A gestora observa que a combinação de atividade econômica mais contida e um compromisso fiscal mais rígido do futuro governo pode abrir espaço para uma política monetária mais flexível nos próximos anos. Paralelamente, a exposição à bolsa brasileira foi ampliada, apostando que juros menores e a redução do risco-país impulsionarão as empresas domésticas.

O papel do Congresso e os desafios fiscais

Para a gestora, o resultado das urnas trouxe um rearranjo político relevante, com a perda de espaço do chamado ‘centrão’ para partidos de direita, especialmente no Senado. Essa nova configuração legislativa é vista como um fator que pode facilitar a tramitação de pautas prioritárias, como o ajuste fiscal, a reforma tributária e debates sobre o Judiciário.

Apesar do otimismo, a TAG ressalta que o favoritismo eleitoral não substitui um plano de governo concreto. A gestora alerta que o mercado aguarda provas de que o compromisso com o fiscalismo não é apenas retórico. O desperdício de capital político em disputas institucionais ou temas periféricos, em detrimento da agenda econômica, é visto como um risco que poderia reverter o otimismo atual.

Em contrapartida, a classe de ativos que perdeu atratividade na leitura da gestora é o dólar frente ao real. Embora a moeda americana ainda possa apresentar volatilidade, a casa entende que outras teses de investimento oferecem uma relação entre risco e retorno superior no cenário de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. O foco, portanto, permanece na formação da equipe econômica e na ordem de prioridades que será estabelecida logo nos primeiros meses de 2027.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos das eleições e seus impactos diretos na economia brasileira. Continue conectado ao nosso portal para obter análises aprofundadas, notícias atualizadas e o contexto necessário para entender como as decisões políticas moldam o seu patrimônio e o futuro do país.

Fonte: seudinheiro.com