Tecnologia com voz feminina: por que tantas inteligências artificiais recebem nomes de mulher?

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Dos assistentes virtuais dos smartphones às inteligências artificiais que atendem clientes de empresas e órgãos públicos, um detalhe costuma passar despercebido pela maioria das pessoas: muitos desses sistemas recebem nomes femininos. Siri, Alexa, Lu, Bia e outras personagens digitais se tornaram parte do cotidiano de milhões de usuários. Mas por que essa escolha é tão comum?

A resposta envolve uma combinação de fatores históricos, psicológicos, culturais e mercadológicos. Estudos sobre interação entre humanos e máquinas mostram que vozes femininas costumam ser percebidas como mais acolhedoras, empáticas e acessíveis em tarefas de atendimento, suporte e orientação. Por isso, durante décadas, empresas de tecnologia optaram por criar assistentes digitais com características associadas ao universo feminino.

A prática não surgiu com a inteligência artificial. Antes mesmo da era digital, sistemas automatizados de telefonia, GPS e centrais de atendimento já utilizavam predominantemente vozes femininas. Pesquisas apontavam que essas vozes eram consideradas mais agradáveis e fáceis de compreender em ambientes com ruído ou durante longos períodos de interação.

No setor privado, alguns dos exemplos mais conhecidos são a Siri, da Apple, a Alexa, da Amazon, e a Lu, personagem virtual da Magazine Luiza. No sistema financeiro brasileiro, a Bia, do Bradesco, tornou-se uma das assistentes virtuais mais conhecidas do país. Em comum, todas foram desenvolvidas para criar proximidade emocional com o público.

No serviço público, a lógica também aparece. Diversos governos e instituições utilizam chatbots com nomes femininos para facilitar o relacionamento com cidadãos. A estratégia busca humanizar o atendimento e reduzir a percepção de frieza normalmente associada aos sistemas automatizados.

Entretanto, essa tendência vem sendo questionada nos últimos anos. Especialistas em tecnologia e comportamento alertam que associar funções de assistência, ajuda e suporte exclusivamente a figuras femininas pode reforçar estereótipos de gênero. Organizações internacionais, pesquisadores e empresas passaram a discutir modelos mais neutros, capazes de representar melhor a diversidade da sociedade.

Como resultado, algumas plataformas passaram a oferecer diferentes opções de voz ou até mesmo vozes neutras. O objetivo é permitir que o usuário escolha a forma de interação que considera mais confortável, reduzindo vieses culturais presentes nos primeiros projetos de inteligência artificial.

Apesar das mudanças, os nomes femininos continuam predominando no universo das IAs. A explicação não está apenas na tecnologia, mas na forma como os seres humanos se relacionam com ela. Quanto mais as máquinas se aproximam da comunicação humana, mais elementos da psicologia e da cultura passam a influenciar seu desenvolvimento.