Projeto da CMPC avança em licenciamento e promete gerar empregos, infraestrutura e novos negócios no Rio Grande do Sul
O projeto de instalação de uma nova fábrica de celulose da multinacional chilena CMPC em Barra do Ribeiro segue entre os principais investimentos privados em andamento no Rio Grande do Sul. Com aporte estimado entre R$ 24 bilhões e R$ 25 bilhões, o chamado Projeto Natureza tem potencial para redefinir a matriz econômica da região sul do Estado, ampliando a cadeia florestal, fortalecendo a logística e atraindo novos empreendimentos para municípios do entorno.
Anunciado oficialmente em 2024 e atualmente em fase de licenciamento ambiental junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), o empreendimento prevê uma capacidade anual de produção de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto. Durante a fase de construção, a expectativa é de geração de cerca de 12 mil empregos. Após o início das operações, deverão ser mantidas aproximadamente 1,5 mil vagas diretas e indiretas.
Além da planta industrial, o projeto contempla uma ampla modernização logística. Estão previstas melhorias em rodovias, acessos a áreas florestais, expansão das operações portuárias em Pelotas e Rio Grande e investimentos na hidrovia gaúcha, considerada estratégica para o escoamento da produção. O plano também inclui iniciativas de conservação ambiental e a criação do Parque Ecológico Barba Negra, em uma área pertencente à companhia.
O tema voltou ao centro dos debates em 2026, quando audiências públicas reuniram representantes da empresa, governo, especialistas, ambientalistas e comunidades locais. Enquanto setores empresariais destacam a capacidade de atração de investimentos, geração de renda e fortalecimento da competitividade do Estado, grupos ambientais e movimentos sociais apontam preocupações relacionadas ao consumo de água, impactos sobre o Lago Guaíba, comunidades tradicionais e expansão das áreas de monocultura de eucalipto.
Para economistas e lideranças do setor produtivo, o avanço do projeto pode consolidar o Rio Grande do Sul como um dos principais polos de celulose da América Latina, ampliando exportações e estimulando negócios em áreas como transporte, construção civil, energia, serviços e comércio. A própria CMPC já mantém operações em 75 municípios gaúchos e considera o Estado estratégico para sua expansão global.
A análise técnica do licenciamento ambiental segue em andamento na Fepam. A expectativa do mercado é que a definição sobre a Licença Prévia ocorra nos próximos meses, etapa considerada decisiva para a concretização daquele que poderá se tornar o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul.
