Avanço no controle biológico da pupunheira
Uma descoberta científica recente traz um alento importante para a cadeia produtiva do palmito no Brasil. Pesquisadores demonstraram que fungos do gênero Trichoderma possuem um potencial notável no combate à Phytophthora palmivora, o agente causador da podridão da base do caule, considerada a ameaça mais severa à cultura da pupunheira (Bactris gasipaes).
O estudo, que envolveu especialistas da Apta Regional de Pariquera-Açu, da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta que o uso de agentes biológicos pode ser a chave para garantir a sanidade dos plantios. A pesquisa não apenas validou a eficácia desses fungos, mas também desenvolveu uma metodologia inédita de inoculação controlada, permitindo simular infecções em laboratório com maior precisão e menor custo.
O desafio do monocultivo e a ameaça da Phytophthora
A pupunheira consolidou-se como a principal alternativa comercial ao palmito juçara, cuja exploração predatória esgotou os estoques naturais na Mata Atlântica. Com expansão expressiva em estados como São Paulo, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo, a cultura oferece vantagens como o crescimento acelerado e a possibilidade de comercialização in natura.
Entretanto, a intensificação do cultivo trouxe consigo o desafio fitossanitário. A Phytophthora palmivora, ao se instalar, provoca o amarelecimento das folhas e a morte dos brotos, podendo levar à destruição total da planta. O controle químico tradicional enfrenta limitações, especialmente pela necessidade de segurança alimentar, já que o palmito é frequentemente consumido cru, exigindo alternativas mais sustentáveis e eficazes.
Mecanismos de defesa e a eficácia do Trichoderma
O controle biológico com Trichoderma atua por meio de múltiplos mecanismos. Segundo os pesquisadores, esses fungos competem por nutrientes, produzem substâncias antifúngicas e degradam a parede celular do patógeno. Além disso, eles estimulam as defesas naturais da própria planta e possuem comportamento endofítico, colonizando os tecidos internos sem causar danos, o que cria uma barreira protetora duradoura.
Os testes laboratoriais foram conclusivos: isolados de Trichoderma harzianum e Trichoderma asperellum inibiram o crescimento do patógeno em até 94%. A eficácia, contudo, está diretamente ligada ao tempo de aplicação. Os resultados mais expressivos foram obtidos quando o fungo benéfico foi introduzido preventivamente, ocupando os tecidos da planta antes da chegada do invasor.
Estratégias para o campo e sustentabilidade
A aplicação curativa, realizada após a infecção já estar estabelecida, mostrou-se menos eficiente, reforçando a importância de um manejo preventivo rigoroso. A capacidade dos fungos de colonizar o interior do caule, mantendo-o firme e saudável, diferencia o Trichoderma de outras soluções, oferecendo uma proteção contínua que favorece a produtividade agrícola.
Como os produtos à base desses fungos já possuem registro e disponibilidade comercial no Brasil, a transição para essa tecnologia é facilitada para o produtor rural. A adoção do controle biológico representa, portanto, um passo fundamental para a sustentabilidade da cultura, reduzindo a dependência de insumos químicos e protegendo a integridade do produto final que chega à mesa do consumidor.
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Fonte: canalrural.com.br
