Cenário de recuperação na produção ucraniana
A consultoria Argus divulgou uma atualização significativa sobre as perspectivas para o mercado global de trigo, com foco especial na região do Mar Negro. Para o ciclo 2026/27, a estimativa é que a Ucrânia alcance uma produção de 24,1 milhões de toneladas. O volume representa um incremento de 2% em comparação ao ciclo anterior, quando o país colheu cerca de 23,6 milhões de toneladas, sinalizando uma resiliência notável do setor agrícola local diante dos desafios logísticos e geopolíticos.
O rendimento médio nacional foi projetado em 4,73 toneladas por hectare, um avanço de 6% em relação à média dos últimos cinco anos. Em regiões estratégicas como Odessa e Mykolaiv, a produtividade tem superado a marca de 3,9 toneladas por hectare registrada no ano anterior. Já no leste ucraniano, a produção de Kharkiv projeta um desempenho 11% superior à média histórica, enquanto Dnipropetrovsk demonstra sinais claros de recuperação produtiva.
Desafios climáticos e manejo das lavouras
Apesar dos números positivos, o desenvolvimento das lavouras não ocorreu sem obstáculos. O início do mês de maio foi marcado por temperaturas baixas que atrasaram o ciclo de desenvolvimento das plantas e dificultaram a aplicação de fertilizantes. Além disso, as chuvas intensas registradas em junho trouxeram novos riscos, como o acamamento das plantas e a proliferação de doenças fúngicas, fatores que exigem monitoramento constante por parte dos produtores.
Outro ponto de atenção é a qualidade do cereal. A redução no uso de fertilizantes nitrogenados em áreas do sul e do leste do país, motivada por questões de custo e disponibilidade, tem gerado preocupações sobre o teor proteico e a qualidade final do grão, elementos essenciais para a competitividade no mercado internacional.
Impactos na Europa e perspectivas regionais
A análise da Argus também abrange outros produtores fundamentais para o abastecimento europeu. Na França, a estimativa foi ajustada para 32,3 milhões de toneladas. A revisão para baixo ocorreu após uma onda de calor de oito dias consecutivos em meados de junho, que impactou severamente as lavouras do norte do país durante a fase crucial de enchimento dos grãos. Em regiões a leste de Paris, a produtividade pode ficar abaixo da média dos últimos sete anos.
Em contrapartida, a Romênia projeta uma safra robusta de 13,9 milhões de toneladas, impulsionada por condições hídricas favoráveis em maio. Contudo, o país enfrenta um atraso de pelo menos duas semanas na colheita devido às baixas temperaturas. O cenário romeno também reflete uma tendência de mercado: a priorização do rendimento em detrimento da qualidade premium, visando atender à demanda por ração animal, enquanto a alta nos preços do diesel pressiona os custos de transporte e logística.
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Fonte: canalrural.com.br
