Quem frequenta academias de baixo custo sabe que o horário de pico pode transformar o treino em um exercício de paciência. A espera por aparelhos disputados é um desafio comum em modelos de negócio que dependem de alta rotatividade. Para a Selfit, a resposta para esse gargalo não foi a simples expansão física, mas o uso estratégico de dados para entender o comportamento real dos alunos dentro das unidades.
Com uma base de 205 unidades e um faturamento de R$ 448 milhões em 2025, a rede consolidou um modelo que equilibra mensalidades acessíveis — a partir de R$ 99,90 — com uma gestão operacional baseada em tecnologia. A estratégia permitiu que a empresa otimizasse o layout de seus espaços, ajustando a quantidade de equipamentos conforme a demanda específica de cada localidade.
Como a tecnologia da Selfit evita filas nos aparelhos
A transformação operacional da rede começou há cerca de quatro anos, sob a gestão do CEO Fernando Menezes. A empresa passou a instalar sensores nos equipamentos para monitorar a utilização real de cada máquina ao longo do dia. Esses dados, processados por uma plataforma desenvolvida na Noruega, revelaram padrões de uso que desafiavam o senso comum do setor.
A análise mostrou que, enquanto alguns aparelhos registravam ocupação máxima constante, outros permaneciam ociosos. Com base nisso, a Selfit reconfigurou suas unidades: o número de esteiras, antes padronizado em 30 unidades, foi reduzido para cerca de 15, enquanto a oferta de equipamentos de polias, como os crossovers, foi triplicada para atender à alta procura. O objetivo é sustentar uma base de 2.500 a 3 mil alunos por unidade com maior fluidez.
O modelo de negócio e a estratégia de mercado
A rede define sua operação pelo conceito High Value, Low Price (HVLP). Segundo o executivo, a meta é entregar uma experiência superior sem elevar os custos para o consumidor final. Para manter a viabilidade financeira com mensalidades baixas, a empresa aposta em um volume elevado de clientes e em uma gestão rigorosa de despesas, evitando reajustes que possam afastar o público.
A oferta de planos é segmentada. Enquanto o plano básico foca na musculação e cardio local, a modalidade de R$ 149,90 oferece acesso nacional, aulas coletivas e a possibilidade de levar convidados. Além disso, a integração com o Wellhub, que representa entre 5% e 7% da base de clientes, funciona como uma ferramenta de retenção e acessibilidade para o público corporativo.
Expansão, desafios e o sistema de franquias
A trajetória da Selfit, fundada em 2012 pelos empreendedores Leonardo Pereira e Nelson Lins, foi marcada por fases distintas. Após um início estruturado em Salvador, a empresa acelerou seu crescimento em 2015, após receber um aporte do fundo HIG Capital. A estratégia de expansão priorizou regiões Norte e Nordeste, ocupando lacunas em cidades onde a concorrência de grandes redes era escassa.
O plano de expansão sofreu um revés com a pandemia de Covid-19, que interrompeu a entrada consistente da marca no Sudeste. Após o período de crise, a empresa reavaliou seu cronograma e optou por consolidar sua presença regional antes de retomar investimentos mais agressivos. O sistema de franquias, lançado apenas em março de 2022, após uma década de operação própria, reforça essa cautela.
Hoje, o modelo de franquia exige um investimento entre R$ 3,5 milhões e R$ 4 milhões, com foco em empreendedores que participem ativamente da gestão. Com a estimativa de retorno sobre o investimento próxima de 30% ao ano, a Selfit continua a expandir sua presença em cidades de médio porte, mantendo o foco na eficiência operacional como pilar de sustentabilidade.
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Fonte: seudinheiro.com
