A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) enfrenta um momento de intensa pressão no mercado financeiro. A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da empresa de B para CCC+, um movimento que reflete uma preocupação crescente com a capacidade da siderúrgica de honrar seus compromissos financeiros. O rebaixamento, acompanhado por uma perspectiva negativa, sinaliza que a agência não descarta novas revisões para baixo no curto prazo.
Embora o rebaixamento não represente um calote iminente, ele coloca a CSN em uma posição de vulnerabilidade. O mercado reagiu prontamente à notícia: na última segunda-feira (3), as ações da companhia (CSNA3) lideraram as perdas no Ibovespa, com uma queda de 8,06%. O acumulado de desvalorização dos papéis desde o início de 2026 já atinge 44,3%, evidenciando o ceticismo dos investidores diante do cenário atual.
Desafios operacionais e alavancagem financeira
O diagnóstico da Fitch aponta para problemas estruturais que corroem a saúde financeira da siderúrgica. A agência destaca o endividamento elevado e a queima contínua de caixa como os principais entraves. Segundo a análise, a estrutura de capital da CSN está desequilibrada, agravada por despesas com juros que consomem cerca de 40% do Ebitda da companhia. Esse cenário é classificado pela agência como condizente com a categoria CCC, indicando riscos de refinanciamento persistentes.
Os números recentes corroboram a cautela do mercado. Em março, a empresa reportou um prejuízo líquido substancial, 748% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Para o primeiro semestre de 2026, a situação deve se manter desafiadora. Resultados preliminares divulgados pela própria companhia estimam um prejuízo entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, com a dívida bruta e líquida atingindo patamares de R$ 54 bilhões e R$ 44 bilhões, respectivamente.
Projeções de dívida e pressão sobre o caixa
A trajetória de endividamento da CSN é um ponto de atenção central para analistas. As projeções da Fitch indicam que a dívida total ajustada da siderúrgica deve superar a marca de R$ 60 bilhões entre 2026 e 2027. A relação entre a dívida e o Ebitda, que mede a capacidade de pagamento, deve atingir quase seis vezes em 2026. Na prática, isso significa que a empresa levaria anos de operação plena apenas para quitar seu passivo, caso não houvesse novos desembolsos.
Além disso, o fluxo de caixa livre deve permanecer negativo pelos próximos três anos. A combinação de investimentos elevados, custos financeiros altos e a volatilidade nos mercados de minério de ferro e aço cria um ambiente de restrição à flexibilidade financeira da companhia. A escassez de acesso a linhas de crédito com condições mais favoráveis intensifica a necessidade de uma reestruturação rápida.
Estratégias de desalavancagem e venda de ativos
Para reverter o quadro, a CSN aposta em um plano de desalavancagem que envolve a venda de ativos estratégicos. A empresa negocia desinvestimentos significativos, como a unidade de cimentos, que atraiu o interesse de grupos brasileiros e chineses, com propostas vinculantes esperadas para agosto. O pacote de ativos à venda também inclui terminais portuários no Rio de Janeiro e participações em empresas de logística, como a MRS e a Tora.
A Fitch estima que, caso essas operações sejam concretizadas com sucesso, a receita gerada poderia chegar a R$ 16,2 bilhões, reduzindo a dívida total para cerca de R$ 37 bilhões. No entanto, a agência mantém cautela e optou por não incluir esses recursos em sua nota de risco atual, aguardando a conclusão efetiva dos negócios. Paralelamente, a empresa busca renegociar dívidas no exterior, como a oferta de troca de bonds da subsidiária CSN Inova, visando alongar o perfil de vencimento de suas obrigações.
O cenário da CSN segue em constante monitoramento por investidores e especialistas. Para acompanhar os desdobramentos dessa reestruturação e outras notícias que impactam o mercado brasileiro, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência em informação qualificada e análise factual.
Fonte: seudinheiro.com
