Dólar encerra em alta pressionado por queda do petróleo e expectativa pelo Copom

Dólar encerra em alta pressionado por queda do petróleo e expectativa pelo Copom

Geral

O mercado financeiro iniciou o mês de agosto com cautela, refletindo um cenário de incertezas externas e a expectativa por decisões cruciais da política monetária brasileira. Nesta segunda-feira (3), o dólar à vista fechou o pregão cotado a R$ 5,0870, registrando uma leve alta de 0,33%. A movimentação da moeda norte-americana foi ditada, em grande parte, pela desvalorização acentuada das commodities energéticas no mercado internacional.

Impacto das commodities e o cenário externo

O principal motor da pressão sobre o câmbio foi a queda de aproximadamente 5% nos preços do petróleo. O recuo é atribuído à possibilidade de retomada das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, o que poderia aumentar a oferta global da commodity. Como o Brasil é um importante exportador, a volatilidade nos preços de recursos naturais afeta diretamente a percepção de risco e o fluxo de capital no país.

Segundo o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, a taxa de câmbio tem respondido de forma sensível aos preços das commodities. A extensão da queda do petróleo influencia diretamente o comportamento do câmbio no mercado local. Além disso, o fluxo cambial total registrado entre 20 e 24 de julho, que apresentou um saldo negativo de US$ 1,065 bilhão conforme dados do Banco Central, contribui para o cenário de maior cautela dos investidores.

Expectativas para a decisão do Copom

Internamente, as atenções estão voltadas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para esta quarta-feira (5). O mercado trabalha com a expectativa majoritária de um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, o que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Essa projeção foi reforçada pelo boletim Focus, que trouxe uma revisão para baixo na estimativa da taxa para o fim do ano, rompendo cinco meses de estabilidade.

Para especialistas, a manutenção de juros ainda elevados no Brasil atua como um fator de proteção para o real, limitando uma desvalorização mais acentuada frente ao dólar. Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank, observa que o real tem mantido um comportamento alinhado ao de outros países emergentes, demonstrando que o diferencial de juros continua sendo um atrativo para o capital estrangeiro, apesar das pressões externas.

Oscilação e perspectivas de mercado

Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0535 e a máxima de R$ 5,0902. Apesar da alta pontual nesta sessão, é importante notar que, no acumulado do ano, o dólar ainda apresenta uma queda de 7,32% frente ao real. O índice DXY, que mede a força da divisa americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, também apresentou leve alta de 0,03%, sinalizando um fortalecimento global do dólar.

O mercado financeiro permanece em compasso de espera. A divulgação do comunicado do Copom será o termômetro para os próximos dias, definindo o apetite ao risco dos investidores e o futuro da curva de juros no país. O Conexrs segue acompanhando de perto os desdobramentos da economia nacional e internacional. Continue conectado conosco para análises aprofundadas, notícias atualizadas e o que há de mais relevante no cenário econômico brasileiro.

Fonte: canalrural.com.br