Pressão sobre a cadeia produtiva do trigo
A indústria brasileira de moagem de trigo enfrenta um período de incertezas e custos elevados. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (5), a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou que a combinação entre uma safra doméstica reduzida e a dependência acentuada de importações está pressionando as margens do setor. Embora a entidade garanta que não há risco de desabastecimento para o consumidor final, o cenário exige atenção redobrada do mercado de alimentos.
O presidente executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, destacou que a falta de autossuficiência do país torna a indústria extremamente vulnerável a variáveis externas. Fatores como a volatilidade cambial, as oscilações nos preços das commodities globais e os gargalos logísticos internacionais impactam diretamente a previsibilidade do setor, que precisa importar grande parte do insumo para atender à demanda interna.
Impactos do cenário geopolítico e logístico
O mercado global de grãos continua sob forte influência de conflitos geopolíticos. A continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, somada às tensões persistentes no Oriente Médio, mantém os preços das commodities em patamares elevados. Esse ambiente de instabilidade reverbera em toda a cadeia produtiva, encarecendo itens essenciais para a operação das moageiras, como energia, combustíveis e fretes marítimos.
Além disso, o aumento nos custos de seguros e logística internacional dificulta o planejamento de longo prazo das empresas. A necessidade de importar trigo para suprir o déficit nacional coloca o Brasil em uma posição de dependência frente a esses choques externos, que acabam sendo repassados ao longo da cadeia de produção da farinha.
Quebra de safra e desafios climáticos no Brasil
No âmbito doméstico, os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trazem preocupação. A projeção para a safra brasileira de 2026 aponta uma queda de 23,5% em comparação ao ciclo anterior. Esse recuo é atribuído a uma combinação de fatores climáticos adversos e decisões econômicas que levaram à redução da área cultivada em diversas regiões produtoras.
O Rio Grande do Sul, que detém o posto de principal produtor nacional do cereal, enfrenta desafios específicos. O excesso de chuvas registrado recentemente tem impactado não apenas o volume colhido, mas também a qualidade final dos grãos. A previsão é de que o Brasil precise ampliar suas importações em cerca de 1,9 milhão de toneladas em 2027 para equilibrar o mercado.
Competitividade e o mercado de farelo
Outro ponto de atenção para a indústria é a rentabilidade dos coprodutos. O farelo de trigo, que representa uma fonte de receita importante para as moageiras, perdeu competitividade frente ao milho, cujos preços registraram forte queda. Essa desvalorização do farelo comprime as margens de lucro das empresas, aumentando a pressão sobre os custos da farinha de trigo, insumo base para a indústria de panificação e massas.
Apesar das dificuldades, a Abitrigo reforça que o setor mantém estratégias de gestão de riscos e monitoramento constante dos mercados. A prioridade, segundo a entidade, é garantir a continuidade do fornecimento de trigo no país, mitigando os efeitos da volatilidade e assegurando a estabilidade do abastecimento nacional. Para mais análises sobre o agronegócio e o impacto na economia, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência em informação contextualizada e de qualidade.
Fonte: canalrural.com.br
