Hugo Spritz ganha espaço nos bares e desafia a liderança do clássico Aperol Spritz

Hugo Spritz ganha espaço nos bares e desafia a liderança do clássico Aperol Spritz

Economia

Por anos, o Aperol Spritz consolidou-se como a escolha onipresente em eventos sociais, bares e baladas ao redor do mundo. Com sua coloração vibrante e perfil de sabor amargo característico, a bebida tornou-se um ícone da coquetelaria moderna. No entanto, o cenário atual aponta para uma mudança de preferência, impulsionada pela ascensão do Hugo Spritz, um coquetel que conquistou o paladar dos consumidores ao oferecer uma proposta mais leve e floral.

A ascensão do Hugo Spritz no mercado global

O Hugo Spritz ganhou destaque como a bebida oficial do verão europeu de 2023. O fenômeno, que acumulou mais de 290 milhões de visualizações na plataforma TikTok, é atribuído ao seu perfil de sabor refrescante e ao teor alcoólico mais moderado em comparação ao seu principal rival. Especialistas em tendências de consumo divergem sobre a origem exata dessa popularização repentina, especialmente nos Estados Unidos.

Alguns analistas apontam para uma renovação do interesse cultural pela Itália, enquanto outros sugerem que o hábito foi importado por turistas que retornaram da Europa. Há também quem defenda que o sucesso do drinque seja resultado de uma combinação fortuita de timing e marketing digital, que encontrou no público jovem um terreno fértil para novas experiências sensoriais.

Dinâmica de preços e ingredientes premium

Em metrópoles como São Paulo, o custo para o consumidor final nos estabelecimentos é bastante similar, variando entre R$ 30 e R$ 50 por taça. A diferença principal reside na composição da receita. Enquanto o Aperol utiliza o aperitivo homônimo, o Hugo Spritz depende de um ingrediente específico: o licor de flor de sabugueiro. O rótulo mais reconhecido globalmente é o St-Germain, produzido pela Bacardi, que possui um valor de mercado próximo a R$ 165 por garrafa de 750 ml.

A comparação com o Aperol, que custa cerca de R$ 50 por garrafa, revela uma disparidade no posicionamento de mercado. Contudo, a experiência de consumo do Hugo Spritz tem atraído um público disposto a pagar pelo diferencial aromático do sabugueiro, elevando o status do coquetel em cartas de bares sofisticados.

O posicionamento da indústria frente à concorrência

O termo spritz não é exclusivo de uma marca, mas designa uma família de cerca de 15 drinques originários da região de Vêneto, no norte da Itália, datando do século 19. A base comum entre eles envolve espumante, um licor e água com gás. Para Simon Hunt, CEO da Campari, a força do Aperol Spritz reside na associação automática que o consumidor faz entre a marca e o coquetel, algo que a Bacardi ainda busca replicar com o St-Germain.

Em entrevista ao Financial Times, Hunt minimizou a ameaça, argumentando que o portfólio da Campari é vasto o suficiente para atender a todos os paladares, do amargo ao doce. Ele reforçou que a empresa mantém uma posição sólida no mercado, independentemente das flutuações de tendências passageiras.

Dados apontam mudança na demanda

Embora o Aperol mantenha um volume de vendas superior em escala global, a consultoria NielsenIQ identificou um movimento de crescimento acelerado para o concorrente. Nos Estados Unidos, os dados dos últimos três meses indicam que a demanda pelo St-Germain avançou 40%, enquanto as vendas do Aperol registraram um recuo de 4%. Esses números sugerem que, embora a hegemonia não esteja ameaçada no curto prazo, o comportamento do consumidor está em nítida transformação.

O Conexrs segue acompanhando as movimentações do mercado de bebidas e as tendências de consumo que moldam o estilo de vida contemporâneo. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas e notícias relevantes sobre o cenário econômico e cultural.

Fonte: seudinheiro.com