Novas revelações sobre o período em que Gianni Infantino atuava como secretário-geral da Uefa trouxeram à tona alegações de conduta imprópria que agora pressionam a gestão do atual presidente da Fifa. Uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Telegraph detalha que uma funcionária da entidade europeia teria mantido um relacionamento com o dirigente, sendo beneficiada com promoções, aumentos salariais e o custeio de um curso de especialização durante o período em que ele ocupava o alto escalão administrativo.
Benefícios financeiros e a intervenção de Platini
Segundo os dados apurados, a funcionária, cuja identidade permanece sob sigilo, teria recebido mais de 150 mil libras — cerca de 175 mil euros — em valores que englobam desde o incremento salarial até uma indenização paga no momento de sua saída da instituição. Documentos indicam que, após deixar uma função administrativa, ela assumiu um cargo de chefia que elevou seus vencimentos anuais para aproximadamente 160 mil francos suíços.
A situação teria chegado ao limite em 2011, quando Michel Platini, então presidente da Uefa, tomou conhecimento do suposto envolvimento pessoal. Relatos apontam que Platini confrontou Infantino diretamente, resultando na demissão da funcionária. A saída foi acompanhada de um acordo financeiro substancial, fato posteriormente confirmado pela própria entidade europeia.
Reação da Fifa e o cenário de tensões políticas
Em resposta às denúncias, a Fifa emitiu um comunicado oficial rechaçando as acusações e classificando as informações como “alegações comprovadamente falsas”. A organização defendeu a trajetória de seu presidente, argumentando que as críticas fazem parte de um esforço coordenado para desestabilizar a atual administração. “É cada vez mais evidente que existe um esforço concertado e contínuo por parte de alguns para minar a Fifa e o seu presidente”, afirmou a entidade em nota.
A defesa da Fifa enfatiza que, durante a passagem de Infantino pela Uefa, todos os procedimentos foram conduzidos de forma correta. A organização sustenta que as mudanças estruturais promovidas pelo dirigente incomodam interesses estabelecidos no futebol mundial, o que explicaria a recorrência de ataques à sua imagem e ao seu mandato democrático.
Desdobramentos e o futuro da governança
O caso reacende o debate sobre a ética e a transparência nas entidades que regem o futebol global. A Uefa, sob a gestão atual de Aleksander Ceferin, indicou que reforçou seus regulamentos internos para alinhar a organização aos padrões exigidos de uma instituição de alto perfil. Existe, ainda, a possibilidade de uma investigação formal ser aberta para analisar as práticas administrativas de Infantino nos anos anteriores à sua ascensão à presidência da Fifa, ocorrida em 2016.
A pressão sobre o dirigente não se limita a este episódio. Figuras influentes do futebol europeu, como Javier Tebas, presidente da La Liga, têm sido vozes críticas constantes, acusando a gestão de Infantino de desvirtuar a essência do esporte. O ambiente de desconfiança coloca a governança da entidade sob um escrutínio rigoroso, enquanto o futebol mundial observa os próximos passos desta disputa institucional.
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Fonte: noticiasaominuto.com.br
