CSN recebe propostas pela divisão de cimentos em busca de fôlego financeiro

CSN recebe propostas pela divisão de cimentos em busca de fôlego financeiro

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A estratégia de desinvestimento da siderúrgica

A CSN (CSNA3) avançou em um movimento decisivo para tentar reequilibrar sua estrutura de capital. A companhia confirmou nesta segunda-feira (10) o recebimento de propostas vinculantes pela CSN Cimentos, unidade que se tornou peça-chave no plano de desinvestimentos da siderúrgica. O objetivo central é reforçar o caixa e reduzir o endividamento que pressiona o balanço da empresa.

O processo competitivo, que conta com a assessoria do banco Morgan Stanley, atraiu o interesse de quatro grupos distintos, sendo dois de origem brasileira e dois chineses. Com a entrega das ofertas firmes, a companhia entra agora em uma fase de análise detalhada. Segundo a empresa, o cronograma para a venda integral do ativo segue conforme o planejado.

O peso da dívida e a busca por liquidez

A venda da unidade de cimentos não é apenas uma simplificação de portfólio, mas uma necessidade urgente para a saúde financeira do grupo. A expectativa é que a transação movimente entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões. Esse montante é vital, visto que a operação de cimentos serve atualmente como garantia para um empréstimo-ponte de R$ 7,43 bilhões, contratado para otimizar o perfil de vencimentos da dívida de curto e médio prazos.

Entretanto, analistas do mercado financeiro ponderam que a venda, embora relevante, pode não ser suficiente para resolver integralmente o aperto financeiro da companhia. A empresa enfrenta um cenário de balanço desafiador, exigindo que a gestão busque outras medidas de desalavancagem para garantir a sustentabilidade operacional nos próximos anos.

Alerta do mercado e rebaixamento de crédito

A atenção dos investidores sobre a CSN intensificou-se após a divulgação dos resultados do quarto trimestre do ano passado. Em março, a companhia reportou um prejuízo líquido 748% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, refletindo o impacto da elevada alavancagem e da queima de caixa. O mercado aguarda agora os números do segundo trimestre de 2026, que serão divulgados nesta quarta-feira (12).

A própria empresa já sinalizou um cenário cauteloso, projetando um prejuízo líquido entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão para o período, uma alta de 62% frente ao semestre anterior. Diante desse quadro, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da companhia de B para CCC+, citando o risco elevado de calote e uma alavancagem considerada insustentável.

Projeções e o futuro da desalavancagem

O desafio da siderúrgica é de longo prazo. A Fitch estima que a dívida total ajustada da companhia possa ultrapassar a marca de R$ 60 bilhões entre 2026 e 2027, com indicadores de alavancagem equivalentes a quase seis vezes o Ebitda. Para reverter esse quadro, a execução do plano de venda de ativos é fundamental.

Além da unidade de cimentos, a empresa avalia a alienação de participações em infraestrutura, incluindo terminais portuários no Rio de Janeiro e a fatia na operadora ferroviária MRS. Segundo estimativas, a combinação dessas vendas poderia reduzir a dívida total para cerca de R$ 37 bilhões, aliviando significativamente a pressão sobre os resultados operacionais.

O Conexrs segue acompanhando de perto os desdobramentos desta negociação e os impactos nos resultados da companhia. Continue conectado ao nosso portal para receber informações atualizadas sobre o mercado financeiro, economia e os principais acontecimentos que movimentam o cenário nacional.

Fonte: seudinheiro.com