Mercado de capitais avança no agro, mas falta de seguro rural preocupa investidores

Mercado de capitais avança no agro, mas falta de seguro rural preocupa investidores

DESTAQUES Geral

O agronegócio brasileiro vive um momento de transformação estrutural em seu modelo de financiamento. Durante o 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado pela Abag, especialistas destacaram que o mercado de capitais já é responsável por cerca de 30% dos recursos que impulsionam o setor. Instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Fiagros e Cédulas de Produto Rural (CPRs) consolidaram-se como alternativas fundamentais ao crédito bancário tradicional, atraindo um volume crescente de investidores.

Contudo, essa expansão enfrenta um obstáculo crítico: a fragilidade da proteção contra intempéries. Enquanto o setor atrai capital, a cobertura do seguro rural no país encolheu drasticamente, deixando produtores e investidores expostos a riscos climáticos que, cada vez mais, impactam a estabilidade das operações financeiras.

Democratização do acesso via Fiagro

Um dos pontos centrais do debate foi a popularização do investimento no campo. O Fiagro, em particular, tem se destacado por sua capacidade de atrair o investidor pessoa física, oferecendo uma barreira de entrada muito menor do que a dos CRAs tradicionais. Segundo Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, essa democratização é um marco para a liquidez do setor.

Enquanto o ticket médio de um CRA gira em torno de R$ 43 mil, o Fiagro permite aportes a partir de R$ 1 mil. Essa diferença de escala transformou o instrumento em uma ferramenta simples e acessível. Para a executiva, o desafio atual é elevar o nível de transparência das operações. Após episódios que elevaram a percepção de risco no mercado, a clareza sobre os ativos é o caminho para restaurar a confiança e normalizar o volume de emissões.

O abismo na proteção contra riscos climáticos

O contraste entre a sofisticação financeira e a realidade no campo é alarmante. Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, apresentou dados que revelam uma queda expressiva na cobertura securitária, que recuou de um pico de 16% para apenas 3% da área produtiva. Atualmente, menos de 100 mil produtores possuem apólices ativas.

Essa desproteção tem consequências diretas na saúde financeira das empresas rurais. Em um cenário de eventos extremos, como secas prolongadas e enchentes, o produtor perde sua capacidade de pagamento, o que reverbera imediatamente no mercado financeiro. Não por acaso, mais de 60% dos processos de recuperação judicial no agronegócio recente citam o clima como o principal gatilho para a crise de liquidez.

Seguro como pilar de confiança para o investidor

A discussão no congresso apontou que o seguro rural não deve ser visto apenas como um custo ou uma proteção isolada ao agricultor, mas como um mecanismo de mitigação de risco para todo o ecossistema financeiro. A inclusão de apólices em carteiras de recebíveis, por exemplo, poderia aumentar significativamente a segurança para quem compra títulos do agronegócio.

Flavia Palacios, diretora da Anbima, reforçou que o mercado já possui arcabouço regulatório para essa integração, mas que o desafio reside no tratamento do risco na origem. O setor aguarda avanços legislativos, como o Projeto de Lei 29/2025, que visa conferir mais perenidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), essencial para tornar o seguro mais acessível e robusto.

O Conexrs segue acompanhando as movimentações do agronegócio e as tendências que moldam a economia nacional. Para se manter atualizado sobre as transformações do mercado e os impactos das políticas públicas no setor produtivo, continue navegando em nosso portal, onde trazemos análises aprofundadas e o contexto que você precisa para entender o Brasil de hoje.

Fonte: canalrural.com.br