Com 184 mortos, 2,4 milhões de afetados e impacto econômico estimado em R$ 88,9 bilhões — segundo relatório conjunto do Banco Mundial, Banco Interamericano de Defesa e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe —, as enchentes de 2024 deixaram marcas que o Rio Grande do Sul ainda enfrenta.
Nesta quinta-feira (30), o Comando Militar do Sul (CMS) realizou seu maior exercício de planejamento de ajuda humanitária dos últimos anos, iniciativa que integra o ciclo permanente de adestramento do Exército Brasileiro e a avaliação constante de planejamento, bem como reforça a capacidade de resposta a desastres naturais de grande escala na região Sul do país.
O exercício realizado no Auditório do Centro de Coordenação de Operações (CCOp), no Quartel-General do CMS em Porto Alegre, o exercício reuniu militares de dez organizações do Exército e representantes da Brigada Militar, dos Bombeiros Militares e da Defesa Civil. Com base em um cenário tático fictício de enchentes severas no Vale do Taquari — região que figurou entre as mais afetadas em 2024 —, o exercício testou o acionamento do CCOp em sua configuração completa de Estado-Maior, incluindo a ativação do Centro de Coordenação Civil-Militar (C3M), da Sala de Imprensa e da estrutura de videoconferência operacional.
A situação simulada exigiu planejamento integrado de ações de logística humanitária, engenharia de emergência e coordenação interagências. O exercício foi conduzido sob responsabilidade do General de Brigada Renato Souza Pinto Soeiro, Chefe do Centro de Coordenação de Operações do CMS.
O roteiro criado pelos planejadores do Exército reproduziu condições próximas às vividas em 2024: chuvas acima de 300 milímetros em 24 horas, rompimento de barragem, 15 municípios afetados, pontes destruídas cortando o acesso a hospitais, torres de celular fora do ar e comunidades isoladas sem possibilidade de resgate terrestre. Diante desse cenário, as equipes precisaram responder a questões operacionais concretas: como distribuir água potável para 100 mil pessoas quando as estradas estão destruídas? Como garantir segurança nos pontos de distribuição de alimentos quando a ordem pública se deteriora? Como coordenar helicópteros, caminhões, equipes médicas e agências civis a partir de um único centro de comando com comunicações limitadas?
Ao ser acionado para uma catástrofe, o Exército Brasileiro opera a partir de planos previamente desenvolvidos e testados. O Centro de Coordenação de Operações do CMS é o nó central desse sistema — de onde partem as decisões estratégicas durante uma crise, integrando tropas de múltiplas organizações militares, sistemas tecnológicos e agências civis em uma única estrutura de comando. No exercício desta quinta-feira, o CCOp foi ativado em sua configuração máxima: dez seções especializadas trabalhando simultaneamente, com responsabilidades que vão da análise de inteligência sobre a área afetada ao controle financeiro dos recursos empregados na operação.
Ao lado da estrutura militar, foi ativado também o C3M, que garante a integração com prefeituras, governo do estado e demais órgãos civis envolvidos no socorro.
