Governo Central tem superávit de R$ 10,8 bilhões em julho

Governo Central registra superávit de R$ 10,8 bi em julho

Economia

As contas públicas brasileiras registraram um superávit primário de R$ 10,8 bilhões no mês de julho, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional. Esse desempenho representa o melhor resultado para o período desde 2022, desconsiderando os gastos com os juros da dívida pública.

Desempenho supera previsões do mercado

O saldo positivo surpreendeu os analistas econômicos. De acordo com a pesquisa Prisma Fiscal, elaborada pelo Ministério da Fazenda, a expectativa do mercado financeiro era de um déficit primário de R$ 5,5 bilhões para o mês. Historicamente, julho costuma ser um período mais favorável devido ao recolhimento trimestral do Imposto de Renda por parte dos bancos e instituições financeiras.

O Governo Central, que engloba as operações do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social, havia apresentado um resultado negativo de R$ 59,1 bilhões em igual período do ano anterior.

Composição das contas públicas

O balanço de julho foi sustentado principalmente pelo desempenho do Tesouro Nacional, que obteve saldo positivo de R$ 33,3 bilhões. Por outro lado, a Previdência Social registrou déficit de R$ 22,2 bilhões, enquanto o Banco Central fechou o mês com saldo negativo de R$ 302 milhões.

No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o cenário ainda aponta para o vermelho. O déficit acumulado em 2026 está em R$ 81,3 bilhões, o que representa um incremento de 15,6% em termos nominais (ou 12,4% já descontada a inflação). Nos últimos 12 meses, o rombo totaliza R$ 71,6 bilhões, montante que corresponde a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

Receitas em alta e corte de despesas

A receita líquida do governo atingiu R$ 226,3 bilhões em julho, marcando uma expansão real de 7,7% sobre o mesmo mês de 2025. Em contrapartida, as despesas totais recuaram para R$ 215,5 bilhões, uma retração real de 20,7%.

O crescimento na arrecadação foi impulsionado pelo avanço do Imposto de Renda, pela expansão da receita previdenciária decorrente do recorde de empregos formais e pelos ganhos com a exploração de recursos naturais, impulsionados pela alta do petróleo após conflitos no Oriente Médio. Já a redução nas despesas ocorreu principalmente devido à diminuição nos pagamentos de precatórios, cujos valores haviam sido antecipados no primeiro semestre.

Investimentos e meta fiscal

No quesito investimentos, o mês de julho contabilizou R$ 6,7 bilhões, queda real de 29,9% em um ano. No entanto, no acumulado de janeiro a julho, o montante investido chega a R$ 56,5 bilhões, registrando uma alta real expressiva de 42,7%.

Para o encerramento de 2026, a meta fiscal estabelece um superávit de R$ 34,3 bilhões (0,25% do PIB), embora exista uma banda de tolerância que permite um resultado neutro. Pelas regras do arcabouço fiscal, despesas com precatórios e determinadas áreas sociais são desconsideradas desse cálculo principal.