O governo do Nepal está vigiando rigorosamente dois lagos localizados próximos a zonas de inundação, após um deles começar a transbordar nesta sexta-feira (28). Segundo a Autoridade de Gestão de Desastres do país, o perigo de novos transbordamentos continuará ativo até que o escoamento de ambos os reservatórios seja completamente concluído.
Desafios na vigilância por satélite
Para acompanhar a situação crítica, as equipes de emergência dependem atualmente de imagens de satélite. No entanto, o órgão oficial destacou que essa estratégia enfrenta limitações devido à frequência e disponibilidade na obtenção dos registros visuais.
Diante desse cenário, o governo nepalês elaborou planos para instalar sensores avançados e câmeras na região a jusante, com pontos estratégicos próximos à cidade fronteiriça de Timure. A viabilidade de transporte desses equipamentos por meio de helicópteros já está em fase de avaliação técnica.
Impacto das mudanças climáticas no Himalaia
Especialistas apontam que a aceleração das mudanças climáticas tem desestabilizado geleiras e formações rochosas nas regiões de alta montanha. Esse fator eleva drasticamente a probabilidade de tragédias como a enchente registrada na última quarta-feira (26) ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete, que resultou na morte de centenas de pessoas.
As investigações preliminares indicam que o desastre pode ter sido originado por uma colossal avalanche de gelo e rochas nas encostas setentrionais do pico Langtang Lirung, no território nepalês. O material desabou em direção ao rio Lhende Khola, localizado no lado tibetano, gerando ondas de destruição.
Buscas por desaparecidos e escala da tragédia
Um dia após a imensa massa de lama e detritos atingir vales e cidades, o balanço oficial aponta que cerca de 1,5 mil pessoas continuam desaparecidas. Entre os afetados, pelo menos 800 são cidadãos estrangeiros que estavam na região no momento do evento extremo.
Enquanto as operações de busca avançam em meio a condições desafiadoras, cientistas seguem analisando detalhadamente os fatores que desencadearam a catástrofe, reforçando o alerta sobre a vulnerabilidade das comunidades localizadas nas encostas da cordilheira.
