O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,196 nesta sexta-feira, registrando alta de 0,62% e aproximando-se da marca de R$ 5,20. O movimento foi impulsionado pela repercussão internacional de declarações firmes vindas do banco central dos Estados Unidos.
Impacto das declarações do Federal Reserve
A reação dos investidores globais ocorreu após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotar um tom mais rigoroso em relação à inflação estadunidense durante o simpósio de Jackson Hole. Em sua primeira participação no tradicional encontro anual, o dirigente alertou que a instituição ainda terá trabalho a fazer caso a inflação subjacente — que exclui itens voláteis como alimentos e energia — não desacelere de forma clara rumo à meta de 2%.
Essa sinalização elevou significativamente as apostas de um novo aumento nos juros dos Estados Unidos já na reunião de setembro. Como reflexo imediato, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano dispararam, com o papel de dois anos subindo mais de 0,1 ponto percentual, alcançando um rendimento de 4,35%. No câmbio global, o índice DXY subiu 0,57%, atingindo 99,668 pontos.
Movimentação da moeda estrangeira no Brasil
Durante a sessão, a divisa norte-americana oscilou bastante. Começou o dia cotada a R$ 5,1581, ganhou força ao longo da manhã impulsionada pelo exterior e bateu a máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. Apesar do arrefecimento no fim do pregão, a moeda acumulou avanço semanal de 1,06%, embora ainda mantenha uma desvalorização de 5,34% no acumulado de 2026.
Desempenho da bolsa de valores brasileira
Apesar do cenário externo adverso e da pressão sobre o câmbio, o Ibovespa demonstrou resiliência e garantiu a sua oitava sessão consecutiva de ganhos. O principal índice da B3 encerrou o dia com alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos.
Embora tenha perdido fôlego após a divulgação do discurso de Warsh nos Estados Unidos — chegando a superar os 176 mil pontos mais cedo —, o indicador fechou a semana com valorização de 2,71%. No acumulado de 2026, a alta acumulada da bolsa brasileira já chega a 9,02%. O fluxo de capital estrangeiro também mostrou sinais de melhora recente, com saldo positivo de R$ 1,3 bilhão nos quatro pregões anteriores, embora agosto ainda registre saldo negativo de R$ 18,7 bilhões.
Cenário de juros no Brasil e emprego
No cenário doméstico, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) trouxeram novos elementos para o debate econômico. O país abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, resultado que ficou abaixo das previsões do mercado financeiro.
O dado reforçou a leitura de desaceleração na economia e intensificou as apostas de que o Banco Central poderá promover um corte na Taxa Selic em setembro. A projeção majoritária aponta para uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa básica para 13,75% ao ano. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, enquanto os juros norte-americanos oscilam na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, um diferencial que segue ditando o fluxo global de capitais.
Bolsas em Nova York fecham em baixa
Enquanto a bolsa brasileira resistiu, os principais índices acionários de Nova York encerraram a sessão no vermelho, pressionados pela perspectiva de uma política monetária prolongada e restritiva pelo Fed.
O índice Dow Jones recuou 0,02%, aos 53.559,99 pontos, e o S&P 500 caiu 0,25%, a 7.711,73 pontos. O setor tecnológico sofreu a maior retração, fazendo com que o índice Nasdaq despencasse 0,52%, encerrando aos 26.402,42 pontos. A alta nos juros dos títulos públicos norte-americanos reduziu o apetite por ativos de maior risco globalmente.
