Itamaraty reage a tarifaço dos EUA e aponta motivação política em sanções

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Itamaraty contesta justificativas dos Estados Unidos

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, subiu o tom nesta quinta-feira (16.jul.2026) ao comentar a recente imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Em declaração oficial, o chanceler refutou categoricamente os argumentos apresentados pela administração norte-americana, classificando a medida como uma ação de motivação estritamente política e sem qualquer “lastro na realidade”.

A tensão comercial, que se arrasta desde abril de 2025, atingiu um novo patamar de desgaste diplomático. Segundo o governo brasileiro, o Brasil buscou o diálogo exaustivamente, mantendo mais de 30 reuniões em diversos níveis — presidencial, ministerial e técnico — com autoridades dos EUA, incluindo o representante de comércio Jamieson Greer, para tentar evitar o agravamento das sanções.

Negociações e a sombra da Seção 301

O cerne da disputa reside na chamada Seção 301, um mecanismo unilateral utilizado pelo governo dos Estados Unidos para justificar a imposição de barreiras comerciais. O Itamaraty sustenta que o Brasil participou de todo o processo investigativo de forma técnica e transparente, apresentando duas defesas formais ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) em 2025.

Para o governo brasileiro, a escalada tarifária não possui fundamentação econômica. Vieira destacou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços com o Brasil. Além disso, em 2025, cerca de 76% das importações originárias do mercado norte-americano entraram no Brasil com isenção de impostos, o que, na visão do Ministério, desmente qualquer alegação de prática comercial desleal por parte do país.

Críticas ao secretário Marco Rubio

O clima entre as duas nações azedou ainda mais após declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O ministro Mauro Vieira não poupou críticas ao diplomata, classificando suas falas como “inaceitáveis e ofensivas” ao povo e ao governo brasileiros. Vieira acusou Rubio de adotar uma postura “grosseira e arrogante” ao se referir ao Chefe de Estado brasileiro.

O governo brasileiro interpreta que o verdadeiro incômodo de Washington é a recusa do Brasil em aceitar demandas que, segundo o Itamaraty, configurariam uma “capitulação”. Entre as exigências estariam a abertura total e exclusiva de setores estratégicos da economia brasileira para empresas dos Estados Unidos, sem qualquer reciprocidade para os produtos nacionais.

Defesa do Pix e políticas ambientais

Além da questão tarifária, o ministro rebateu ataques a pilares da atual gestão, como o sistema de pagamentos instantâneos Pix e as políticas de preservação ambiental. Vieira classificou como “descabidas” as críticas ao Pix, reforçando que se trata de uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central, disponível a todas as instituições financeiras, e não de um instrumento de concorrência desleal.

Sobre as acusações de desmatamento, o chanceler foi enfático ao chamá-las de “absurdas”. Ele ressaltou que o Brasil tem registrado quedas significativas na devastação da Amazônia e do Cerrado desde 2022, apresentando esses dados como evidência de que os argumentos americanos carecem de base factual. A íntegra da nota oficial pode ser consultada neste documento.

O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta crise diplomática e os impactos nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Mantenha-se informado com a nossa cobertura completa, que traz análises, dados e o contexto necessário para entender os fatos que moldam o cenário nacional e internacional.

Fonte: poder360.com.br