O mercado físico do boi gordo apresentou um cenário de maior dinamismo ao longo da última semana. Impulsionados pela necessidade de recompor escalas de abate, os frigoríficos intensificaram a procura por animais, o que gerou uma reação positiva nas cotações em diversas praças pecuárias do país. No entanto, especialistas do setor alertam que essa valorização pontual enfrenta desafios estruturais para se manter no curto prazo.
Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, pontua que a grande incógnita para os próximos dias é se a indústria conseguirá alongar sua programação de compras. O entrave reside, em grande parte, no mercado externo. As exportações para a China, principal parceiro comercial do Brasil, perderam tração devido ao esgotamento precoce da cota de embarques de 1,1 milhão de toneladas prevista para este ano, o que retira parte da pressão compradora que costuma sustentar os preços em patamares elevados.
Perspectivas para o mercado de gado
Apesar da incerteza imediata, o horizonte para o restante do ano e o início de 2027 traz projeções de recuperação. Felipe Fabbri, coordenador de inteligência de mercado da Scot Consultoria, avalia que a tendência é de uma elevação mais robusta da arroba a partir de setembro. Segundo ele, o setor já começa a se organizar estrategicamente para atender à demanda chinesa no próximo ciclo, além de buscar um equilíbrio na oferta interna.
O momento atual de retomada de preços, conforme Fabbri, reflete um ajuste de oferta e preparativos para a virada de quinzena no mercado doméstico. Além disso, o Brasil tem buscado diversificar seus destinos. O mercado dos Estados Unidos, por exemplo, enviou sinais positivos ao não aplicar tarifas adicionais à proteína brasileira, o que ajuda a mitigar a dependência exclusiva do mercado asiático e contribui para um cenário mais equilibrado.
Dinâmica das cotações regionais
Os preços do boi gordo, na modalidade a prazo, mostraram comportamentos distintos conforme a região produtora. Em São Paulo, o valor se manteve estável em R$ 330. Em Goiás, houve um avanço de 1,59%, atingindo R$ 320, enquanto em Mato Grosso do Sul a arroba subiu 1,56%, chegando a R$ 325. Por outro lado, Rondônia registrou um recuo de 1,59%, fechando em R$ 310, enquanto Minas Gerais e Mato Grosso mantiveram seus preços inalterados em R$ 310 e R$ 320, respectivamente.
Desafios no setor atacadista
O mercado atacadista vive um momento de preços mistos. A expectativa é de que a sustentação das cotações perca força no restante de julho, uma vez que o impacto da entrada dos salários na economia tende a diminuir. Além disso, a carne bovina enfrenta uma concorrência acirrada com outras proteínas, especialmente o frango, que tem demonstrado maior competitividade no varejo.
Os dados do mercado atacadista refletem essa oscilação: o quarto dianteiro teve queda de 5%, sendo cotado a R$ 19,00 por quilo, enquanto o quarto traseiro apresentou valorização de 1,96%, atingindo R$ 26,00. Esse descompasso entre os cortes indica uma seletividade maior por parte do consumidor final, que busca alternativas diante da variação de preços nas gôndolas.
Desempenho das exportações brasileiras
O volume de exportações de carne bovina mantém números expressivos. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país movimentou US$ 668,099 milhões em julho, considerando os primeiros 8 dias úteis do mês. O volume total chegou a 104,664 mil toneladas, com um preço médio por tonelada de US$ 6.382,20.
Comparativamente a julho de 2025, os indicadores mostram um crescimento sólido: houve alta de 25% no valor médio diário das exportações e um avanço de 8,7% na quantidade média diária embarcada. Esses números reforçam a resiliência do setor pecuário brasileiro, que, mesmo diante de desafios logísticos e comerciais, continua sendo um pilar fundamental da balança comercial do país.
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Fonte: canalrural.com.br
