A preservação da floresta amazônica ganha um novo capítulo focado na recuperação de ecossistemas. Dados recentes apontam que as terras indígenas na região possuem um potencial de restauração de 1,79 milhão de hectares. O número, que engloba tanto áreas degradadas quanto vegetação secundária, coloca o protagonismo das comunidades originárias no centro do debate sobre sustentabilidade e metas climáticas brasileiras.
Potencial de recuperação e uso do solo
O levantamento, baseado no sistema TerraClass de 2022, detalha a extensão do desafio ambiental dentro dos territórios protegidos. Do total identificado, 952,3 mil hectares são classificados como áreas degradadas, com uma predominância expressiva de pastagens. Além disso, foram mapeados 24,4 mil hectares utilizados para agricultura e 18,9 mil hectares impactados pela mineração.
O cenário de restauração também considera 840,5 mil hectares de vegetação secundária, que representam áreas em processo de regeneração natural. A integração dessas áreas aos planos de recuperação é vista por especialistas como uma oportunidade estratégica para fortalecer a biodiversidade e garantir a segurança hídrica em regiões críticas da floresta.
Metas nacionais e compromissos internacionais
A discussão sobre a recuperação dessas terras ocorre em um momento de pressão internacional por resultados concretos. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, o Brasil assumiu o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados de vegetação até 2030.
Essa meta está alinhada ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que projeta a recuperação de 12 milhões de hectares em todo o território nacional. A inclusão das terras indígenas nesse esforço é fundamental, dado que esses territórios funcionam como barreiras naturais contra o avanço do desmatamento e o desequilíbrio climático.
Protagonismo indígena e gestão territorial
Especialistas reforçam que a restauração não deve ser apenas uma intervenção técnica, mas um processo que respeite o modo de vida das comunidades. Diana Nascimento, especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), destaca que o sucesso da iniciativa depende da inclusão de espécies de interesse local, alimentos tradicionais e o fortalecimento da governança territorial.
Para subsidiar essa tomada de decisão, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) estruturou um sistema integrado de informações. Desenvolvida em parceria com a TNC Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa UK PACT, a ferramenta cruza dados sobre mudanças climáticas, biodiversidade e saúde, permitindo que cada projeto de restauração seja desenhado sob medida para as necessidades de cada etnia.
Desafios e perspectivas futuras
O Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas, divulgado em 2026, indicou que 1,7% da perda de vegetação nativa no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas. Embora o índice seja inferior ao registrado em áreas privadas, a pressão sobre esses territórios exige monitoramento constante e ações preventivas, como a proteção de cabeceiras de rios e matas ciliares.
A expectativa é que a restauração, quando aliada ao fortalecimento dos sistemas produtivos indígenas, promova não apenas o ganho ambiental, mas também a segurança alimentar. O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos das políticas ambientais e o impacto das ações de preservação na realidade das comunidades amazônicas. Continue conectado ao nosso portal para receber informações aprofundadas sobre o futuro da nossa biodiversidade e os temas que moldam o desenvolvimento sustentável no Brasil.
Fonte: canalrural.com.br
