A Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu uma reunião em Brasília na terça-feira (15), onde foram debatidos temas cruciais para o setor, como operações de hedge, sanidade e qualidade do leite, além da análise de tarifas antidumping sobre o leite em pó do Mercosul. O encontro contou com a presença de representantes da cadeia produtiva e técnicos especializados, que discutiram estratégias de produção, gestão de riscos e regulação do setor.
No que diz respeito à sanidade, a CNA apresentou propostas oriundas de dois workshops realizados em 2025 e 2026, focados no controle de brucelose e tuberculose. As discussões ressaltaram a importância da segurança das vacinas, as limitações dos testes disponíveis e a necessidade de uma abordagem integrada para erradicar essas doenças no Brasil. Entre as propostas estão ações para o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), a revacinação voluntária em estados e incentivos para a certificação de propriedades livres dessas enfermidades.
O presidente da comissão, Jônadan Ma, destacou que essas iniciativas são um passo fundamental para melhorar o programa, visando aumentar a renda dos produtores e reduzir tanto os custos de produção quanto a burocracia envolvida. Essa abordagem é essencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor leiteiro no país.
Hedge: proteção de preços e gestão de riscos
Outro ponto importante discutido na reunião foi o uso de operações de hedge no setor leiteiro. Marianne Tufani, consultora em gestão de riscos da StoneX, explicou que os produtores podem proteger não apenas o preço do leite, mas também o custo dos insumos, como o milho. Essa estratégia permite um planejamento financeiro mais eficaz, garantindo margens de lucro previsíveis.
Tufani também mencionou a possibilidade de contratos personalizados no mercado de balcão (OTC), que oferecem flexibilidade e ajustes diários, além de uma margem inicial que pode ser adaptada às necessidades dos produtores. Guilherme Souza Dias, assessor técnico da CNA, ressaltou que, embora essa ferramenta ainda seja nova no Brasil, sua adoção tem crescido, e a entidade está empenhada em disseminar a cultura de gestão de riscos entre os produtores.
Qualidade do leite e iniciativas de melhoria
Na pauta de qualidade, Leonardo Agostini Novo, chefe da Divisão de Gestão de Dados de Conformidade do Ministério da Agricultura, apresentou o Observatório da Qualidade do Leite, que foi reestruturado com informações da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL). As atualizações, que haviam sido interrompidas em 2024, foram retomadas em 2026, atendendo a um pedido da CNA. Claudia Alessandra Gomes, chefe de Serviço de Boas Práticas de Produção Animal, destacou a importância de iniciativas que melhorem a qualidade do leite desde a origem, além do papel do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite.
Investigação de dumping e seus desdobramentos
A reunião também abordou a investigação de dumping contra o leite em pó do Mercosul. A CNA informou que o processo está na fase de avaliação de interesse público, conforme estabelecido pela Circular Secex 62/2026. O prazo para a fase probatória se estende até 2 de outubro, enquanto as manifestações finais devem ser apresentadas até o dia 26. Após esse período, o Departamento de Defesa Comercial irá elaborar um parecer a ser discutido no Comitê Gestor da Câmara de Comércio Exterior.
Essas discussões são fundamentais para o futuro do setor leiteiro no Brasil, que enfrenta desafios significativos, mas também oportunidades de crescimento e inovação. A CNA continua a trabalhar para promover a melhoria contínua da qualidade do leite e a sustentabilidade da produção, assegurando que os interesses dos produtores sejam sempre priorizados.
Fonte: canalrural.com.br
