Uma nova pesquisa revela que a violência é uma realidade que altera profundamente a rotina e as escolhas de 98% das mulheres brasileiras. O estudo, intitulado “Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência”, foi realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, e será apresentado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Os dados são alarmantes: 78% das mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de violência, e a sensação de insegurança é tão intensa que leva a quase todas as entrevistadas a adotarem estratégias para minimizar os riscos no dia a dia. Essa insegurança impacta diretamente comportamentos e limita escolhas em áreas como lazer, mobilidade, trabalho e estudo.
Medidas de segurança no cotidiano
Para evitar situações de risco, 98% das mulheres entrevistadas afirmam adotar pelo menos uma medida de proteção. A estratégia mais comum é evitar determinados locais, mencionada por 90% das participantes. Outras ações incluem:
- Evitar compartilhar informações pessoais nas redes sociais (88%);
- Não usar o celular na rua (84%);
- Avisar alguém sobre deslocamentos e horários (83%);
- Evitar sair à noite (83%);
- Não usar aplicativos bancários enquanto estão na rua (80%).
Além disso, 62% das mulheres já mudaram seus hábitos de lazer e 45% afirmam ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por medo da violência. Esse cenário revela uma rotina de vigilância constante, onde as decisões são tomadas com base na segurança.
A percepção da insegurança
A pesquisa também mostra que o medo da violência é uma preocupação compartilhada entre a população, mas afeta as mulheres de forma mais intensa. Enquanto 94% das mulheres se sentem inseguras, esse número é de 84% entre os homens. A insegurança se estende a diferentes contextos, como deslocamentos na cidade, onde 94% das mulheres e 90% dos homens relatam medo.
“O medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades. Esse medo é alimentado por experiências concretas de violência, vividas ou compartilhadas”, afirma Maíra Saruê, diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva.
Os dados revelam que a violência doméstica é uma das maiores preocupações, sendo motivo de temor para seis em cada dez brasileiras. Além disso, 41% não se sentem seguras em bares e festas, e 42% em pontos de ônibus e estações.
A responsabilidade do poder público
A pesquisa indica que as mulheres veem a prevenção da violência como uma responsabilidade compartilhada entre diferentes instituições públicas. As polícias Militar e Civil são apontadas como as principais responsáveis, seguidas pelos governos federal, estadual e municipal. No entanto, a avaliação da atuação dessas instituições é majoritariamente negativa.
Para 78% das entrevistadas, as propostas de combate à violência nas ruas e no transporte público influenciarão suas decisões de voto nas próximas eleições. Isso ressalta a urgência de políticas públicas eficazes para garantir a segurança das mulheres.
“A segurança das mulheres não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania”, destaca Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.
O cenário atual exige uma reflexão profunda sobre como a violência impacta a vida das mulheres no Brasil e a necessidade de ações concretas para garantir um ambiente seguro e igualitário.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
