Soja registra alta em Chicago impulsionada pelo farelo enquanto plantio avança de forma desigual no Brasil

Soja registra alta em Chicago impulsionada pelo farelo enquanto plantio avança de forma desigual no Brasil

Agro

Os preços da soja na Bolsa de Chicago apresentaram uma valorização significativa na manhã desta quarta-feira (16), continuando a tendência positiva observada na sessão anterior. Este movimento é impulsionado principalmente pela força do farelo de soja, enquanto o cenário de plantio no Brasil se mostra desigual, com variações significativas entre os estados.

Por volta das 7h40, no horário de Brasília, os contratos futuros da oleaginosa subiam entre 8,50 e 10 pontos. O vencimento de novembro era negociado a US$ 13,28 por bushel, enquanto março alcançava US$ 13,52 e maio avançava para US$ 13,58 por bushel.

Desempenho do mercado brasileiro e condições de plantio

No Brasil, a comercialização da soja permanece lenta em várias regiões do Sul, onde há uma discrepância entre os preços oferecidos pelos compradores e os valores que os produtores esperam. As chuvas recentes atrasaram a semeadura no Paraná, enquanto Mato Grosso do Sul iniciou o plantio após o término do vazio sanitário. Mato Grosso, por sua vez, mantém um ritmo acelerado nas negociações antecipadas.

O complexo soja é sustentado pelo desempenho dos derivados. Na sessão anterior, os contratos da oleaginosa fecharam com ganhos superiores a 1%, e o farelo de soja avançou 2,58%, refletindo dados positivos de processamento nos Estados Unidos. Essa valorização do farelo impacta diretamente as margens das indústrias esmagadoras e a formação dos preços do grão.

Influências externas e condições climáticas

O óleo de soja, por outro lado, apresentou um comportamento menos uniforme. Embora os vencimentos mais próximos tenham registrado valorização, a realização de lucros após sucessivas altas limitou o avanço. O mercado também está atento às tensões no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre o fornecimento de energia, o que pode influenciar a demanda por biocombustíveis.

As condições meteorológicas no Meio-Oeste dos Estados Unidos continuam a ser monitoradas de perto. Chuvas persistentes em áreas produtoras podem atrasar a colheita da soja e do milho, adicionando um componente de risco às cotações. Além disso, a demanda internacional, especialmente as compras da China, e as expectativas para o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para os próximos dias em Washington, são fatores que podem impactar o mercado.

Preços no mercado físico brasileiro

No mercado físico brasileiro, o levantamento referente a 15 de setembro indicou poucas mudanças nas referências de preços. No Rio Grande do Sul, a diferença entre as ofertas dos compradores e a disposição de venda dos produtores continuou a limitar os negócios. A soja permaneceu cotada a R$ 163 por saca em Rio Grande, enquanto em Ijuí e Cruz Alta, o valor foi de R$ 153; em Passo Fundo, R$ 155; e em Santa Rosa, R$ 154 por saca.

Em Santa Catarina, o mercado também não apresentou novas formações de preços, mantendo a saca a R$ 162 em São Francisco do Sul, R$ 139,50 em Palma Sola e R$ 140 em Rio do Sul. Apesar da estabilidade, alguns produtores relataram propostas mais agressivas de compradores locais, impulsionadas pela necessidade de abastecimento das agroindústrias que dependem da oferta regional.

Atrasos no plantio e perspectivas futuras

No Paraná, o excesso de umidade reduziu o ritmo da semeadura em algumas regiões. Em Pato Branco, o plantio estava entre 10% e 15% da área prevista, bem abaixo dos aproximadamente 35% esperados para o período. Esse atraso gera preocupações sobre a janela operacional da soja e o calendário das culturas que serão implantadas na sequência. Se as condições desfavoráveis persistirem, os produtores poderão ter menos tempo disponível para o cultivo posterior.

Mato Grosso do Sul encerrou o período de vazio sanitário, permitindo o início da semeadura comercial da soja a partir desta quarta-feira. O vazio sanitário é uma medida adotada para reduzir a presença de plantas vivas de soja e auxiliar no controle da ferrugem-asiática, uma das principais doenças da cultura.

Mato Grosso destaca-se pelo avanço da comercialização, com 96,90% da safra 2025/26 já negociada e 39,12% da produção prevista para 2026/27 vendida antecipadamente. Essa disposição dos produtores mato-grossenses para proteger margens e reduzir riscos diante das oscilações do dólar e dos custos de produção é um sinal positivo para o mercado.

Nos próximos dias, o mercado da soja deverá continuar acompanhando o desempenho do farelo e do óleo, o avanço da colheita norte-americana, o comportamento da demanda chinesa e as relações comerciais entre Pequim e Washington. No Brasil, além das oscilações em Chicago e do câmbio, o ritmo da semeadura e as condições climáticas serão decisivos para a formação dos preços e para o avanço da comercialização da safra 2026/27.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br