Brasil forma primeira turma de Rc-tasters e avança na padronização da qualidade do café torrado

Brasil forma primeira turma de Rc-tasters e avança na padronização da qualidade do café torrado

Agro

O Brasil deu um passo significativo na valorização da qualidade do café torrado ao formar sua primeira geração de RC-Tasters, profissionais especializados em análises sensoriais. Composta por 33 especialistas de diversas regiões do país, essa turma tem como objetivo atuar no controle de qualidade e no desenvolvimento de produtos, contribuindo para a padronização das avaliações do café que chega ao consumidor.

A cerimônia de formação ocorreu em São Paulo, em 10 de setembro, e foi promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Este evento marca uma nova fase na profissionalização da indústria cafeeira brasileira, que busca não apenas a excelência interna, mas também o reconhecimento internacional de suas normas.

Objetivos e Metodologia do Protocolo Brasileiro

A formação dos RC-Tasters está ligada ao Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados ABIC, que foi registrado na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O presidente da ABIC, Pavel Cardoso, destacou que o próximo passo é buscar o reconhecimento internacional dessa norma, permitindo que a metodologia brasileira seja reconhecida globalmente.

“Buscamos formar profissionais focados em identificar o que há nas xícaras, garantindo a experiência entregue ao consumidor. O protocolo precisa ser registrado em nível global, para que essa inteligência do Brasil seja reconhecida no mundo”, afirmou Cardoso.

Capacitação e Impacto na Indústria

A capacitação dos RC-Tasters é um marco importante para a indústria nacional, que conta com mais de mil indústrias de café torrado, movimentando cerca de R$ 46,24 bilhões em 2025. Aline Marotti, coordenadora de Certificações e Qualidade da ABIC, enfatizou que o curso preenche uma lacuna na cadeia cafeeira, formando especialistas que avaliam o café de forma técnica e padronizada.

O programa de formação abrangeu tópicos como fisiologia dos sentidos, psicofísica, identificação e controle de vieses, percepção de diferenças, escalas de intensidade e desenvolvimento de memória sensorial. Ao final do curso, os participantes estão aptos a aplicar o Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados ABIC, alinhado à norma NBR 17238 da ABNT.

Repercussão e Expectativas Futuras

A formação dos RC-Tasters não apenas fortalece a qualidade do café brasileiro, mas também amplia a confiabilidade das informações apresentadas aos consumidores. A avaliação técnica permite verificar características sensoriais e acompanhar a consistência dos produtos disponíveis nas prateleiras.

Profissionais como Margarete Azevedo, da Exattus Análises e Consultoria Técnica, ressaltam que a formação científica ajuda a reduzir a subjetividade nas avaliações. “A análise sensorial é a cereja do bolo. O protocolo da ABIC é fantástico”, declarou.

José Victor Santos, da JVS Indústria e Comércio, destacou a responsabilidade envolvida na avaliação dos produtos comercializados, afirmando que é crucial seguir os protocolos para manter a qualidade dos cafés nas gôndolas. Éverton Tales, da Verum Consultoria em Cafés, também enfatizou que a formação cria uma referência para o consumidor, garantindo que o que está escrito no pacote foi avaliado por profissionais credenciados.

Conclusão: Um Avanço para a Cafeicultura Nacional

Com a formação dos primeiros 33 RC-Tasters e a busca pelo reconhecimento internacional do protocolo, a indústria brasileira avança na construção de critérios técnicos para avaliar o café torrado. Essa iniciativa não apenas fortalece o controle de qualidade, mas também amplia a confiança do consumidor, promovendo um café brasileiro de excelência no mercado global.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br