Nubank perde destaque e Itaú BBA elege Bradesco como novo favorito entre os grandes bancos

Nubank perde destaque e Itaú BBA elege Bradesco como novo favorito entre os grandes bancos

Economia

O Nubank (ROXO34) perdeu o status de favorito do Itaú BBA, pelo menos temporariamente. Após meses de defesa da tese de crescimento da fintech, os analistas decidiram rebaixar a recomendação do banco digital de outperform (compra) para market perform (neutra).

Além da mudança na recomendação, o preço-alvo do Nubank também foi ajustado para baixo, agora estimando US$ 18 para o final de 2027, em comparação aos US$ 20 anteriormente projetados para o final de 2026. Apesar da redução, essa cifra ainda representa uma valorização de cerca de 27% em relação ao último fechamento.

Por outro lado, o Bradesco (BBDC4) ganhou destaque e se tornou o único grande banco sob a cobertura do Itaú BBA com recomendação de outperform. Essa mudança de preferência não indica que os analistas abandonaram a visão de longo prazo sobre o Nubank, que continua sendo visto como um vencedor estrutural, mas sim que o caminho até lá se tornou mais complicado.

A revisão das expectativas para o Nubank não é um caso isolado. O Itaú BBA adotou uma postura mais cautelosa em relação ao setor bancário como um todo, considerando a desaceleração da economia, a redução do suporte fiscal e incertezas sobre o comportamento do crédito. Essas condições levaram os analistas a reavaliar as estimativas de lucro para todos os bancos sob sua cobertura.

Nubank perde a preferência (por enquanto)

O Itaú BBA cortou em 8% sua estimativa de lucro para o Nubank em 2027, agora 15% abaixo do consenso de mercado. Os analistas apontam que a situação se tornou menos confortável devido a uma combinação de fatores macroeconômicos e específicos da empresa. O ambiente para consumidores de baixa renda no Brasil pode se tornar mais desafiador com a diminuição dos estímulos fiscais e sociais.

Além disso, uma possível alta nos preços do petróleo e de commodities agrícolas pode pressionar a inflação, complicando ainda mais a situação. O Banco Central também está atento ao endividamento das famílias e pode implementar medidas regulatórias que afetem o mercado de crédito, o que poderia impactar o Nubank.

Os analistas do Itaú BBA esperam que o lucro do Nubank cresça apenas 14% em 2027, em comparação a 32% em 2026, devido a uma receita que deve avançar de forma mais lenta e pressionar a eficiência operacional. A operação brasileira enfrentará uma base de comparação mais difícil, especialmente no crédito pessoal, enquanto os investimentos nos Estados Unidos começam a ganhar escala, mas ainda não são suficientes para compensar uma possível desaceleração no Brasil.

Com a ação sendo negociada a cerca de 17 vezes o lucro estimado para 2026 e 4,4 vezes o valor patrimonial, os analistas veem pouca margem para frustrações nos resultados. “Continuamos vendo o Nubank como um vencedor de longo prazo, mas o cenário de médio prazo está se tornando mais desafiador”, afirmam os analistas do Itaú BBA.

Bradesco (BBDC4) fica com a coroa

O Bradesco agora é o único grande banco com recomendação de compra na cobertura do Itaú BBA, devido a uma relação de risco e retorno mais atraente. As ações do Bradesco estão sendo negociadas a cerca de 1,1 vez o valor patrimonial estimado para 2026 e sete vezes o lucro projetado.

A percepção é de que o banco está menos exposto aos ciclos econômicos do que no passado e apresenta sinais de melhora na execução, especialmente no varejo e no segmento corporativo. O setor de seguros, que responde por mais de 40% do lucro do Bradesco, deve continuar crescendo em ritmo de dois dígitos, segundo o Itaú BBA.

Se a execução continuar a melhorar e os resultados confirmarem as expectativas, pode haver espaço para uma reprecificação das ações do Bradesco.

Tesourada nas estimativas para os bancos

A revisão do Itaú BBA afetou todos os bancos sob cobertura, com todos passando por cortes nas estimativas de lucro. Entre os maiores cortes para 2027 estão o Nubank (ROXO34), o Agibank (AGI) e o Banrisul (BRSR6).

No caso do Agibank, a revisão para 2026 é influenciada por custos iniciais de originação que estão sendo reconhecidos antes das receitas correspondentes. Para o Banrisul, a redução se deve à diminuição da projeção de crescimento da carteira de crédito e da margem financeira, além de um aumento esperado no custo de risco.

O Itaú BBA também destaca que o resultado forte do último trimestre do Banrisul foi impulsionado por uma reversão de provisões relacionadas a um ativo problemático, não necessariamente por uma melhora nos fundamentos operacionais.

As revisões foram mais modestas para o Inter, onde a margem financeira líquida continua acima de 10%, embora o custo de risco ainda seja uma preocupação. No Banco ABC Brasil (ABCB4), as estimativas menores refletem uma margem financeira mais fraca.

Banco do Brasil (BBAS3) ainda exige atenção

O Banco do Brasil (BBAS3) teve mudanças limitadas nas estimativas, mas ainda enfrenta incertezas, especialmente na carteira de agronegócio. A inadimplência acima de 90 dias entre pessoas físicas aumentou para 8,41% no segundo trimestre, e a inadimplência no cartão de crédito chegou a 14,6%.

A administração do Banco do Brasil trabalha com a meta de reduzir o custo de risco para abaixo de 5% em 2027.

Menos bancos, mais mercado de capitais

Atualmente, B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e XP (XPBR31) têm recomendação de compra. A expectativa é de um crescimento mais fraco do PIB, enquanto a Selic começa a cair, o que pode beneficiar as empresas de mercado de capitais na captura de uma retomada das operações financeiras.

Fonte: seudinheiro.com