O mercado de milho no Brasil apresenta uma situação paradoxal: enquanto os preços se mantêm firmes em diversas regiões, a cautela dos compradores tem restringido as negociações. Essa dinâmica tem gerado um cenário de incertezas, onde as transações ocorrem de forma pontual e com uma liquidez reduzida.
Comportamento do mercado e preços regionais
De acordo com dados da TF Agroeconômica, as cotações do milho variam significativamente entre os estados. No Rio Grande do Sul, os preços estão entre R$ 60 e R$ 68 por saca, dependendo da qualidade do produto e das condições de entrega. A Emater aponta que o preço médio estadual subiu 0,83% na última semana, alcançando R$ 61,60 por saca. No entanto, a diferença entre as propostas de compra e os valores pedidos pelos produtores tem dificultado a comercialização.
Em Santa Catarina, a situação é crítica, com uma necessidade de compras interestaduais devido ao déficit de milho no estado. Com um consumo anual de aproximadamente 8,5 milhões de toneladas e uma produção de apenas 2,67 milhões na safra 2025/26, o déficit se aproxima de 6 milhões de toneladas. As referências de venda estão em torno de R$ 60 por saca, enquanto as propostas de compra giram em torno de R$ 55, refletindo a resistência dos produtores em aceitar os valores oferecidos.
Demanda e oferta: um equilíbrio delicado
A demanda por milho é impulsionada, em parte, pela indústria de bioenergia em Mato Grosso do Sul, que continua a oferecer suporte ao mercado. Os preços nessa região variam entre R$ 54 e R$ 55,50 por saca, mas a estabilidade do mercado é frequentemente interrompida por ajustes nas cotações. A indústrias compradoras focam na reposição das necessidades imediatas, evitando formar estoques maiores, o que limita ainda mais as transações.
No Paraná, os preços de compra estão próximos de R$ 60 por saca, com a maior referência em Ponta Grossa, onde o milho foi cotado a R$ 67,91. As diferenças regionais refletem fatores como a disponibilidade local e as condições específicas de entrega, mas a resistência dos produtores em aceitar as propostas de compra continua a ser um obstáculo significativo.
Exportações e o cenário global
As exportações brasileiras de milho mostram uma recuperação gradual em setembro, mas ainda estão 16,7% abaixo do desempenho do mesmo período do ano anterior. Essa queda nas exportações reduz o suporte externo ao mercado interno, tornando a demanda doméstica um fator crucial para a formação dos preços. O ritmo das exportações dependerá da competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, além de fatores como câmbio e custos portuários.
Perspectivas futuras para o mercado de milho
O cenário atual aponta para uma continuidade da cautela entre os compradores e uma resistência dos produtores em aceitar os preços oferecidos. A baixa liquidez do mercado deve persistir enquanto a diferença entre as propostas das indústrias e os valores pretendidos pelos produtores se mantiver. No entanto, a demanda estrutural em Santa Catarina e as compras para reposição em Mato Grosso do Sul oferecem algum suporte às cotações.
O futuro do mercado de milho brasileiro dependerá de uma série de fatores, incluindo a evolução das exportações, a competitividade no mercado internacional e a dinâmica entre oferta e demanda. A expectativa é de que o preço do milho continue a ser regionalizado, com negociações pontuais e uma forte influência dos custos logísticos e das necessidades imediatas de cada mercado.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
