MPF aciona Justiça para exigir plano efetivo de redução da letalidade policial no Rio

MPF aciona Justiça para exigir plano efetivo de redução da letalidade policial no Rio

Direitos humanos

Cobrança por resultados concretos na segurança pública

O Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação na 26ª Vara Federal Cível com o objetivo de forçar o governo do Rio de Janeiro e a União a apresentarem um plano efetivo para a redução das mortes decorrentes de intervenção policial. A medida busca dar cumprimento a uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) datada de 2017, que exige mudanças estruturais nas políticas de segurança do estado.

Para o MPF, a documentação enviada até o momento pelos órgãos responsáveis é insuficiente. O órgão aponta que não há metas mensuráveis, prazos definidos ou indicadores claros que comprovem uma política pública voltada à preservação da vida. A avaliação é de que a simples publicação de normas ou a realização de cursos de treinamento não atendem à determinação internacional, que exige resultados práticos e mecanismos de acompanhamento contínuo.

O impacto da Operação Contenção e o aumento das mortes

A urgência do pedido do MPF é reforçada pelos índices alarmantes de violência. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 indicam que o número de mortes por intervenção policial no Rio de Janeiro saltou de 703, em 2024, para 798, em 2025, um crescimento de 13,5%. Com uma taxa de 4,6 mortes por 100 mil habitantes, o estado supera significativamente a média nacional, que é de 3,1.

Um dos episódios centrais na argumentação do Ministério Público é a chamada Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão. Com o registro de 122 mortes, a ação é considerada a mais letal da história fluminense, evidenciando, segundo o MPF, a falha das estratégias atuais em conter o uso excessivo da força, mesmo sob a vigência da ADPF 635, conhecida como a ADPF das Favelas.

Conflito de interpretações sobre a ADPF das Favelas

O governo do Rio de Janeiro sustenta que cumpre as determinações judiciais ao seguir as diretrizes da ADPF 635, que estabeleceu restrições para operações policiais em 2020. Em nota enviada à Agência Brasil, a Secretaria de Estado de Polícia Militar afirmou que adota um conjunto permanente de medidas, incluindo treinamentos e atualizações constantes para o efetivo.

Contudo, o MPF e o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) têm apontado limitações nessas entregas. Em abril de 2025, o STF já havia reconhecido que o plano apresentado pelo estado não era suficiente para atingir os objetivos de redução da letalidade. A disputa jurídica coloca em xeque a eficácia das políticas de segurança pública frente a uma sentença internacional que remonta às chacinas da Favela Nova Brasília, em 1994, e do Complexo do Alemão, em 1995, casos que motivaram a condenação do Brasil pela CIDH.

O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos desta ação judicial e o impacto das políticas de segurança na vida da população fluminense. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes da atualidade, continue acompanhando nosso portal, onde prezamos pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a informação de qualidade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br