Safra reduz projeções para grandes bancos brasileiros diante de cenário desafiador no crédito

Safra reduz projeções para grandes bancos brasileiros diante de cenário desafiador no crédito

Economia

O cenário para os grandes bancos brasileiros, conhecidos no mercado financeiro como “bancões”, está passando por uma fase de ajustes significativos. O Banco Safra, uma das instituições mais tradicionais do setor, revisou recentemente suas expectativas para os gigantes do setor: Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3). O movimento reflete uma percepção de que o ciclo de crédito no país tornou-se mais complexo, exigindo uma postura mais cautelosa por parte dos investidores.

A decisão de reduzir os preços-alvo dessas instituições não ocorre no vácuo. Ela é impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e mudanças regulatórias que impactam diretamente a rentabilidade e a gestão de riscos. Entre os principais pontos de atenção estão o aumento da inadimplência no segmento de pessoa física e as novas diretrizes contábeis impostas pelo Banco Central, que alteraram a forma como os bancos provisionam possíveis perdas.

Mudanças regulatórias e inadimplência pressionam resultados do setor bancário

Um dos pilares dessa revisão é a implementação da Resolução 4.966 do Banco Central. Esta norma elevou o rigor para a constituição de provisões, que funcionam como um “colchão” financeiro para proteger os bancos contra eventuais calotes. Na prática, a medida dificulta a comparação direta dos indicadores atuais de inadimplência com o histórico das instituições, tornando a leitura da deterioração dos ativos menos evidente para o mercado.

Os analistas do Safra apontam que o ambiente para o crescimento do crédito e dos lucros é claramente mais difícil do que em períodos anteriores. No entanto, eles fazem uma distinção importante: não se trata de uma crise bancária generalizada, mas sim de um ciclo de crédito mais restritivo. Os bancos brasileiros, aprendendo com ciclos passados, estão sendo muito mais seletivos na concessão de novos empréstimos.

Essa cautela, embora proteja o balanço contra perdas catastróficas, traz um efeito colateral: o crescimento mais lento. Com menor apetite ao risco, as instituições buscam refúgio em linhas de crédito com garantias, como o consignado e operações com aval do governo (FGI e FGO), além de focar em clientes de alta renda. Contudo, esses segmentos são altamente competitivos e possuem margens que nem sempre compensam a retração em outras áreas.

Itaú mantém resiliência mas foca em eficiência operacional para sustentar lucros

O Itaú Unibanco (ITUB4) continua sendo visto como o porto seguro do setor, mas nem ele escapou dos cortes. O Safra reduziu o preço-alvo da ação de R$ 55 para R$ 51, mantendo a recomendação de compra. A avaliação é que o banco possui uma carteira de crédito mais robusta e uma disciplina de concessão que o torna menos vulnerável às oscilações do mercado.

A estratégia do Itaú agora parece estar voltada para dentro. Com a expectativa de uma expansão de receita mais modesta, o crescimento dos lucros dependerá fortemente de:

  • Controle rigoroso de custos operacionais;
  • Ganhos de eficiência por meio da digitalização;
  • Manutenção da qualidade dos ativos em detrimento do volume.

Para os analistas, o banco ainda merece um prêmio em sua avaliação em relação aos pares, mas o potencial de valorização explosiva é limitado pelas condições atuais da economia brasileira.

Bradesco enfrenta recuperação gradual com foco no mercado de massa e seguros

No caso do Bradesco (BBDC4), a trajetória de recuperação após um período turbulento de inadimplência elevada continua, mas o ritmo deve ser mais lento do que o antecipado. O preço-alvo foi ajustado de R$ 26 para R$ 22, embora a recomendação de compra tenha sido mantida. A grande questão para o Bradesco é sua exposição histórica ao mercado de massa e à baixa renda, segmentos que sofrem mais com o endividamento das famílias.

O banco tem buscado reforçar sua estrutura de capital, com planos de um aumento de até R$ 10 bilhões, o que pode favorecer a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio no futuro. Além disso, a área de seguros permanece como um pilar de resiliência, atuando como um amortecedor para os resultados bancários mais voláteis. O Safra, no entanto, reduziu em 6% as estimativas de lucro para 2027, sinalizando que a volta aos níveis históricos de rentabilidade (ROE) levará tempo.

Desafios no agronegócio e varejo deixam Banco do Brasil em posição de cautela

O Banco do Brasil (BBAS3) recebeu a avaliação mais conservadora, com recomendação neutra e preço-alvo reduzido de R$ 27 para R$ 26. O cenário para a instituição estatal é desafiador devido à pressão em duas frentes vitais: o agronegócio e o varejo de pessoa física.

No agro, a qualidade dos ativos depende de uma recuperação das safras e de renegociações de dívidas, um processo que pode se estender até 2027. Já no varejo, a formação de novos créditos inadimplentes, especialmente em cartões e crédito rotativo, praticamente dobrou recentemente. Segundo o Money Times, a visibilidade sobre uma melhora estrutural na qualidade dos ativos do BB ainda é baixa, o que justifica a cautela dos analistas no curto prazo.

Acompanhar as movimentações do setor bancário é fundamental para entender a saúde da economia nacional. Continue acompanhando o ConexRS para análises aprofundadas, notícias atualizadas e o contexto necessário para suas decisões financeiras e informativas, sempre com o compromisso da verdade e da qualidade jornalística.

Fonte: seudinheiro.com