Estratégia eleitoral em meio ao exílio
A disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados ganhou um contorno inusitado no Rio de Janeiro. Rebeca Ramagem (PL), esposa do ex-deputado Alexandre Ramagem, tem conduzido sua campanha eleitoral de forma remota, utilizando totens de papelão com sua imagem e a de seu marido para marcar presença nas ruas. O casal reside atualmente nos Estados Unidos, país para onde se mudaram após a condenação de Alexandre pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 16 anos de prisão, em decorrência do processo que investiga a trama golpista.
A candidata justifica a ausência física como uma medida de sobrevivência diante do que classifica como perseguição política. Em entrevista, Rebeca afirmou que a mudança não foi uma escolha, citando o bloqueio de contas e salários sem que ela respondesse a processos judiciais. Ela garante, contudo, que pretende retornar ao Brasil caso seja eleita, para exercer o mandato parlamentar em sua totalidade.
A figura do foragido na campanha
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), permanece na condição de foragido da Justiça brasileira desde que o ministro Alexandre de Moraes expediu o mandado de prisão em novembro do ano passado. A localização do casal em um condomínio de luxo em North Miami foi revelada pelo site PlatôBR, embora Rebeca não confirme o paradeiro atual da família.
Apesar da distância, a imagem de Alexandre é onipresente na campanha. Os totens, que exibem o casal, circulam em eventos do PL-RJ e contam com o apoio de aliados políticos. Recentemente, durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do estado, no Maracanãzinho, os “Ramagens de papelão” foram vistos ao lado de figuras como Fernanda Bolsonaro, esposa do senador Flávio Bolsonaro.
Estrutura e controvérsia jurídica
A operação de campanha é gerida por ex-assessores de Alexandre Ramagem, que atuam na coordenação das atividades de rua e na organização de reuniões virtuais com o eleitorado. A equipe utiliza uniformes com a estampa do casal e o slogan “Faça Justiça”. Financeiramente, a candidatura de Rebeca conta com um aporte de R$ 1,5 milhão do PL, valor que supera o destinado a parlamentares com mandato na legenda.
A estratégia, contudo, enfrenta barreiras legais. O registro de candidatura de Rebeca foi questionado pela Procuradoria Regional Eleitoral, que aponta um suposto vínculo com organização criminosa. O relator do caso no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Paulo Cesar Salomão, chegou a manifestar críticas severas à participação do marido na campanha, classificando a situação como um desafio direto ao Poder Judiciário.
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Fonte: redir.folha.com.br
